Estudo

Alojamento local de 2014 a 2026: quantos registos por ano

O RNAL tem 111 472 registos de alojamento local no continente, e 93% têm data de 2014 ou posterior. Contámos ano a ano o que entrou e o que isso significa para quem já está no mercado.

Atualizado a 28 de outubro de 2026Com fontes
Sala de um apartamento de alojamento local
Imagem ilustrativa

O Registo Nacional de Alojamento Local tinha 111 472 registos no continente a 13 de outubro de 2026. Destes, 103 964, ou 93%, têm data de 2014 ou posterior. O pico foi em 2018, com 14 621 novos registos. Contámos ano a ano o que entrou, para perceber em que mercado está hoje quem tem um apartamento ou uma moradia para arrendar a turistas.

De onde vêm os números

Usámos os dados abertos do RNAL, publicados pelo Turismo de Portugal, descarregados a 13 de outubro de 2026. Agrupámos os registos pelo ano indicado em cada um. É a verificação FINEWEB de outubro de 2026; os números completos do setor estão no estudo do alojamento local.

O que estes números são e não são: contam os registos que constam hoje na base aberta, pelo ano de registo. Não sabemos, a partir destes dados, quantos registos de cada ano foram entretanto cancelados. Se os cancelados não aparecem, os anos mais antigos estão subcontados. Há ainda alguns registos com anos anteriores a 2008, incluindo 1900, que tratamos com cautela: somam 873 e não mudam a leitura.

Novos registos por ano

AnoNovos registosVariação face ao ano anterior
20131 458
20142 847+95%
20156 091+114%
20166 374+5%
201710 742+69%
201814 621+36%
20198 963-39%
20204 648-48%
20215 736+23%
20229 534+66%
202312 731+34%
20244 558-64%
20259 544+109%
2026 (até 13 de outubro)7 575

Variações calculadas por nós a partir das contagens. A tabela começa em 2013 para mostrar o ponto de partida da subida; os anos anteriores estão resumidos mais abaixo.

Antes de 2014

Os registos com data entre 2008 e 2013 somam 6 635. O salto começa em 2008: de 72 registos com data de 2007 passa-se para 550, e para 1 312 em 2009. Daí até 2013, o ritmo andou entre cerca de mil e mil e quinhentos por ano. Comparado com o que veio depois, era um mercado pequeno, em que quem tinha uma casa para turistas tinha poucos vizinhos a fazer o mesmo.

Quatro fases em doze anos

2014 a 2018: a corrida. Em cinco anos entraram 40 675 registos, mais de um terço de tudo o que existe hoje. Cada ano bateu o anterior, até ao máximo de 2018.

2019 a 2021: a travagem. Os novos registos caíram para 8 963 em 2019 e para 4 648 em 2020, o ano da pandemia. Em 2021 houve uma recuperação tímida.

2022 e 2023: o segundo pico. Os registos voltaram a subir, até 12 731 em 2023, o segundo valor mais alto da série.

2024 a 2026: altos e baixos. Em 2024 entraram 4 558 registos, menos 64% do que no ano anterior. Em 2025 o número mais do que duplicou, para 9 544. Até 13 de outubro de 2026 iam 7 575, cerca de 79% do total de 2025 com quase três meses por contar.

Uma conta simples: mantendo o ritmo dos primeiros nove meses e meio, 2026 fecharia perto de 9 700 novos registos, ao nível de 2025. É uma projeção nossa, não um dado, e o último trimestre pode correr de forma diferente.

Os dados mostram o quê, não o porquê. Não fazemos aqui a análise das regras do setor; se quer perceber o que mudou para o seu caso, fale com a sua câmara municipal ou com a associação do setor.

Que tipo de alojamento

ModalidadeRegistosPeso
Apartamento66 22259,4%
Moradia35 92032,2%
Estabelecimento de hospedagem6 0465,4%
Quartos2 5742,3%
Hostel7100,6%

Ao todo, os registos somam capacidade para 649 879 utentes, uma média de cerca de 5,8 por registo. É um setor de unidades pequenas: nove em cada dez registos são um apartamento ou uma moradia.

Os estabelecimentos de hospedagem e os hostels somam 6 756 registos, cerca de 6%. São os que mais se parecem com um pequeno hotel, com vários quartos e hóspedes diferentes ao mesmo tempo. Na nossa opinião, são também os que mais ganham com um site próprio e reserva direta, porque cada ponto de ocupação conta em vários quartos.

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Quanto pesa nas dormidas

Nas estatísticas do alojamento turístico, o INE conta apenas o alojamento local com 10 ou mais camas. Esse segmento teve 12,1 milhões de dormidas em 2025, cerca de 14,7% do total do alojamento turístico, praticamente igual a 2024 (-0,1%). A hotelaria somou 66,7 milhões.

Nas viagens dos residentes, o alojamento particular pago ficou com 12,2% das dormidas em 2025. São hóspedes que vivem em Portugal, procuram em português e podem voltar todos os anos.

O que isto quer dizer para quem já está no mercado

Mais de cem mil registos é muita oferta. Nas plataformas, isto traduz-se em muitas alternativas parecidas na mesma zona, todas com fotos, estrelas e o mesmo botão de reservar. Quando tudo parece igual, o hóspede escolhe pelo preço.

O que distingue um alojamento de outro, nessa lista, são as fotos, a descrição, as avaliações e a rapidez da resposta. Fora da lista, é o que o hóspede encontra quando pesquisa o nome da casa: um site com informação clara ou nada. Quem aparece só na plataforma depende dela também para ser lembrado.

A plataforma tem custos. No Airbnb, por exemplo, a maioria dos anfitriões com taxa única paga 15,5% por reserva. Isso é razoável para um hóspede novo. É caro para o hóspede que já ficou e quer voltar.

Explicamos a dependência das plataformas no alojamento português em alojamento português e plataformas.

O que fazer

  1. Confirme o seu registo. Veja se os dados no RNAL (morada, capacidade, contacto, site) estão certos. São dados abertos: qualquer pessoa os pode consultar e reutilizar.
  2. Tenha um sítio seu na internet. Uma página simples com fotos, preços «desde», calendário e contacto direto. Veja quanto custa um site antes de decidir.
  3. Diferencie-se no que a plataforma não mostra. A história da casa, o bairro, as recomendações locais, a forma como recebe.
  4. Guarde o contacto dos hóspedes, com consentimento. A segunda estadia deve poder ser marcada diretamente consigo.
  5. Responda depressa. Um botão de WhatsApp ou um telefone clicável no site fecham reservas que um email demora a fechar.

Para começar, veja sites para alojamento local.

Perguntas frequentes

Quantos alojamentos locais existem em Portugal continental?

Nos dados abertos do RNAL consultados a 13 de outubro de 2026 havia 111 472 registos de alojamento local no continente, com capacidade para 649 879 utentes. São sobretudo apartamentos (66 222) e moradias (35 920).

Em que ano houve mais novos registos de alojamento local?

Em 2018, com 14 621 registos com data desse ano. Seguem-se 2023 (12 731) e 2017 (10 742). Os números são da verificação FINEWEB de outubro de 2026 sobre os dados abertos do RNAL.

Estes números contam os alojamentos que fecharam?

Não temos forma de o saber a partir destes dados. Contámos os registos que constam hoje na base aberta, agrupados pelo ano indicado em cada um. Se registos cancelados não aparecem, os anos mais antigos estão subcontados.

Quanto pesa o alojamento local nas dormidas em Portugal?

Segundo o INE, o alojamento local com 10 ou mais camas teve 12,1 milhões de dormidas em 2025, cerca de 14,7% do total do alojamento turístico, praticamente igual ao ano anterior (-0,1%). O alojamento local mais pequeno não entra nestes números.

Com tanta oferta, como se destaca um alojamento local?

Com o que a plataforma não mostra: um contacto direto rápido, um site com fotos e preços claros, e uma relação com os hóspedes que permita que voltem sem passar outra vez pela plataforma.

Fontes

  1. INE, Atividade Turística, 4.º trimestre de 2025 (destaque de 13.02.2026), consultado a 13.10.2026
  2. DNoticias/Lusa, Viagens turísticas de residentes atingem recorde de 26 milhões em 2025, dados INE (28.04.2026), consultado a 13.10.2026
  3. Airbnb Help Center, Airbnb service fees (página em vigor), consultado a 13.10.2026

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