O Registo Nacional de Alojamento Local tinha 111 472 registos no continente a 13 de outubro de 2026. Destes, 103 964, ou 93%, têm data de 2014 ou posterior. O pico foi em 2018, com 14 621 novos registos. Contámos ano a ano o que entrou, para perceber em que mercado está hoje quem tem um apartamento ou uma moradia para arrendar a turistas.
De onde vêm os números
Usámos os dados abertos do RNAL, publicados pelo Turismo de Portugal, descarregados a 13 de outubro de 2026. Agrupámos os registos pelo ano indicado em cada um. É a verificação FINEWEB de outubro de 2026; os números completos do setor estão no estudo do alojamento local.
Novos registos por ano
| Ano | Novos registos | Variação face ao ano anterior |
|---|---|---|
| 2013 | 1 458 | |
| 2014 | 2 847 | +95% |
| 2015 | 6 091 | +114% |
| 2016 | 6 374 | +5% |
| 2017 | 10 742 | +69% |
| 2018 | 14 621 | +36% |
| 2019 | 8 963 | -39% |
| 2020 | 4 648 | -48% |
| 2021 | 5 736 | +23% |
| 2022 | 9 534 | +66% |
| 2023 | 12 731 | +34% |
| 2024 | 4 558 | -64% |
| 2025 | 9 544 | +109% |
| 2026 (até 13 de outubro) | 7 575 |
Variações calculadas por nós a partir das contagens. A tabela começa em 2013 para mostrar o ponto de partida da subida; os anos anteriores estão resumidos mais abaixo.
Antes de 2014
Os registos com data entre 2008 e 2013 somam 6 635. O salto começa em 2008: de 72 registos com data de 2007 passa-se para 550, e para 1 312 em 2009. Daí até 2013, o ritmo andou entre cerca de mil e mil e quinhentos por ano. Comparado com o que veio depois, era um mercado pequeno, em que quem tinha uma casa para turistas tinha poucos vizinhos a fazer o mesmo.
Quatro fases em doze anos
2014 a 2018: a corrida. Em cinco anos entraram 40 675 registos, mais de um terço de tudo o que existe hoje. Cada ano bateu o anterior, até ao máximo de 2018.
2019 a 2021: a travagem. Os novos registos caíram para 8 963 em 2019 e para 4 648 em 2020, o ano da pandemia. Em 2021 houve uma recuperação tímida.
2022 e 2023: o segundo pico. Os registos voltaram a subir, até 12 731 em 2023, o segundo valor mais alto da série.
2024 a 2026: altos e baixos. Em 2024 entraram 4 558 registos, menos 64% do que no ano anterior. Em 2025 o número mais do que duplicou, para 9 544. Até 13 de outubro de 2026 iam 7 575, cerca de 79% do total de 2025 com quase três meses por contar.
Uma conta simples: mantendo o ritmo dos primeiros nove meses e meio, 2026 fecharia perto de 9 700 novos registos, ao nível de 2025. É uma projeção nossa, não um dado, e o último trimestre pode correr de forma diferente.
Os dados mostram o quê, não o porquê. Não fazemos aqui a análise das regras do setor; se quer perceber o que mudou para o seu caso, fale com a sua câmara municipal ou com a associação do setor.
Que tipo de alojamento
| Modalidade | Registos | Peso |
|---|---|---|
| Apartamento | 66 222 | 59,4% |
| Moradia | 35 920 | 32,2% |
| Estabelecimento de hospedagem | 6 046 | 5,4% |
| Quartos | 2 574 | 2,3% |
| Hostel | 710 | 0,6% |
Ao todo, os registos somam capacidade para 649 879 utentes, uma média de cerca de 5,8 por registo. É um setor de unidades pequenas: nove em cada dez registos são um apartamento ou uma moradia.
Os estabelecimentos de hospedagem e os hostels somam 6 756 registos, cerca de 6%. São os que mais se parecem com um pequeno hotel, com vários quartos e hóspedes diferentes ao mesmo tempo. Na nossa opinião, são também os que mais ganham com um site próprio e reserva direta, porque cada ponto de ocupação conta em vários quartos.
Tem um alojamento local e quer saber o que o seu site diz aos hóspedes? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppQuanto pesa nas dormidas
Nas estatísticas do alojamento turístico, o INE conta apenas o alojamento local com 10 ou mais camas. Esse segmento teve 12,1 milhões de dormidas em 2025, cerca de 14,7% do total do alojamento turístico, praticamente igual a 2024 (-0,1%). A hotelaria somou 66,7 milhões.
Nas viagens dos residentes, o alojamento particular pago ficou com 12,2% das dormidas em 2025. São hóspedes que vivem em Portugal, procuram em português e podem voltar todos os anos.
O que isto quer dizer para quem já está no mercado
Mais de cem mil registos é muita oferta. Nas plataformas, isto traduz-se em muitas alternativas parecidas na mesma zona, todas com fotos, estrelas e o mesmo botão de reservar. Quando tudo parece igual, o hóspede escolhe pelo preço.
O que distingue um alojamento de outro, nessa lista, são as fotos, a descrição, as avaliações e a rapidez da resposta. Fora da lista, é o que o hóspede encontra quando pesquisa o nome da casa: um site com informação clara ou nada. Quem aparece só na plataforma depende dela também para ser lembrado.
A plataforma tem custos. No Airbnb, por exemplo, a maioria dos anfitriões com taxa única paga 15,5% por reserva. Isso é razoável para um hóspede novo. É caro para o hóspede que já ficou e quer voltar.
Explicamos a dependência das plataformas no alojamento português em alojamento português e plataformas.
O que fazer
- Confirme o seu registo. Veja se os dados no RNAL (morada, capacidade, contacto, site) estão certos. São dados abertos: qualquer pessoa os pode consultar e reutilizar.
- Tenha um sítio seu na internet. Uma página simples com fotos, preços «desde», calendário e contacto direto. Veja quanto custa um site antes de decidir.
- Diferencie-se no que a plataforma não mostra. A história da casa, o bairro, as recomendações locais, a forma como recebe.
- Guarde o contacto dos hóspedes, com consentimento. A segunda estadia deve poder ser marcada diretamente consigo.
- Responda depressa. Um botão de WhatsApp ou um telefone clicável no site fecham reservas que um email demora a fechar.
Para começar, veja sites para alojamento local.
