No alojamento, Portugal está à frente da Europa nas vendas online e também na dependência das plataformas. Segundo o Eurostat, 81,6% das empresas de alojamento portuguesas vendem pela web através de plataformas como a Booking.com ou o Airbnb. A média da UE é 65,9%. São quase 16 pontos de diferença.
Os números lado a lado
Os dados vêm do inquérito anual do Eurostat às empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço. O código do setor é I55, alojamento. Os indicadores de vendas do inquérito de 2025 referem-se às vendas de 2024.
| Empresas de alojamento (I55), 2025 | Portugal | UE |
|---|---|---|
| Têm website | 94,4% | 95,7% |
| Website com reservas ou encomendas online | 88,0% | 81,0% |
| Fazem vendas por comércio eletrónico | 88,7% | 78,3% |
| Vendem pela web através de plataformas | 81,6% | 65,9% |
| Website em pelo menos duas línguas | 79,4% | 72,3% |
| Website com chat de apoio ao cliente | 31,6% | 20,3% |
| Usam redes sociais | 83,9% | 86,9% |
Leitura rápida: o alojamento português tem site quase tanto como o europeu, aceita reservas online mais vezes, vende mais por comércio eletrónico e tem sites em mais línguas. Mas, na hora de vender, apoia-se mais em plataformas de terceiros.
Há um detalhe curioso: 31,6% das empresas de alojamento portuguesas têm chat de apoio no site, contra 20,3% na UE. Ou seja, o setor investe no próprio site e ainda assim vende mais por fora. O site existe; o que muitas vezes falta é que seja o caminho mais fácil para reservar.
Nas redes sociais, o alojamento português fica ligeiramente abaixo da média europeia (83,9% contra 86,9%). Com o website (94,4% contra 95,7%), são as duas únicas linhas da tabela em que Portugal fica atrás da média.
Porque é que isto acontece
Os dados não explicam a causa, por isso o que segue é a nossa leitura. Portugal vive muito de turistas estrangeiros: em 2025, segundo o INE, os mercados externos fizeram 69,4% das dormidas. Um turista alemão ou americano que procura onde dormir em Lisboa ou no Algarve começa, muitas vezes, por uma plataforma que já conhece.
Para o alojamento, a plataforma resolve três problemas de uma vez: visibilidade lá fora, pagamento e confiança. É por isso que entrar é fácil. O problema aparece depois, quando quase todas as reservas passam a chegar pelo mesmo canal e o negócio deixa de ter contacto direto com os seus hóspedes.
Quanto custa depender das plataformas
Depende do contrato, e é por isso que convém lê-lo. A Booking.com não publica uma comissão fixa: a página para parceiros diz que a taxa depende do país, do tipo de alojamento e do acordo. Programas de maior visibilidade, como Preferred Partner ou Visibility Booster, acrescentam uma percentagem à comissão base. A própria Booking.com reconhece que a comissão paga influencia a posição nos resultados.
O Airbnb é mais transparente. Na página de ajuda, diz que a maioria dos anfitriões com taxa única paga 15,5%, e outros entre 14% e 16%. A taxa repartida de 3% ainda existe para alguns anfitriões mas está a ser descontinuada. Hotéis e quem usa software de gestão ficam obrigatoriamente na taxa única.
Exemplo ilustrativo: um apartamento que fatura 40 000 euros por ano através de uma plataforma paga, digamos, 6 000 euros em comissões (o valor real está no seu contrato). Se 10% dessas reservas passassem a ser diretas, ficariam 600 euros por ano no negócio, antes de qualquer custo de site ou pagamento online.
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Falar no WhatsAppDo lado dos clientes portugueses
Não são só os estrangeiros. Segundo o Eurostat, 19,0% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos compraram alojamento online nos três meses anteriores ao inquérito de 2025; a média da UE é 23,6%. Comprando só a empresas (hotéis, agências), os valores são 17,5% e 21,7%.
O turismo interno também conta. Em 2025, as dormidas de residentes no alojamento turístico chegaram a 25,1 milhões, mais 5,4% do que no ano anterior, segundo o INE. É um público que fala a sua língua, volta e recomenda. Faz pouco sentido pagar comissão sempre que volta. E é também o hóspede mais fácil de convencer a reservar direto, porque já conhece a casa e confia em quem o recebeu.
E no alojamento local?
O RNAL tinha 111 472 registos de alojamento local a 13 de outubro de 2026, segundo os dados abertos do Turismo de Portugal tratados na verificação FINEWEB de outubro de 2026. São sobretudo apartamentos (66 222) e moradias (35 920).
Para negócios deste tamanho, a pergunta é a mesma: que parte das reservas pode chegar por um canal seu? Contamos a evolução dos registos em alojamento local de 2014 a 2026 e os números do setor no estudo do alojamento local.
O que fazer
- Calcule o que paga hoje. Some as comissões de cada plataforma no último ano. É o número de partida para decidir quanto vale investir em reserva direta.
- Mantenha as plataformas para ser encontrado. Use-as para o primeiro contacto com hóspedes novos, sobretudo estrangeiros.
- Tenha um sítio seu para a segunda reserva. Um site simples, com calendário, preço e pagamento, ou pelo menos um contacto rápido por WhatsApp e email.
- Guarde o contacto dos hóspedes, com consentimento. Uma mensagem antes da época seguinte custa menos do que uma comissão.
- Seja coerente nos preços. Se der uma vantagem a quem reserva direto, escolha uma que não crie conflito com o seu contrato, como um extra em vez de desconto.
Se quer saber como começar, veja a página de sites para alojamento local e o artigo sobre reservas diretas e plataformas.
