Estudo

O alojamento português vende mais online, mas depende mais das plataformas

Segundo o Eurostat, 81,6% das empresas de alojamento em Portugal vendem pela web através de plataformas, contra 65,9% na média da UE. Vender bem online e depender de terceiros são duas coisas diferentes.

Atualizado a 16 de outubro de 2026Com fontes
Apartamento de alojamento local preparado para hóspedes
Imagem ilustrativa

No alojamento, Portugal está à frente da Europa nas vendas online e também na dependência das plataformas. Segundo o Eurostat, 81,6% das empresas de alojamento portuguesas vendem pela web através de plataformas como a Booking.com ou o Airbnb. A média da UE é 65,9%. São quase 16 pontos de diferença.

Os números lado a lado

Os dados vêm do inquérito anual do Eurostat às empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço. O código do setor é I55, alojamento. Os indicadores de vendas do inquérito de 2025 referem-se às vendas de 2024.

Empresas de alojamento (I55), 2025PortugalUE
Têm website94,4%95,7%
Website com reservas ou encomendas online88,0%81,0%
Fazem vendas por comércio eletrónico88,7%78,3%
Vendem pela web através de plataformas81,6%65,9%
Website em pelo menos duas línguas79,4%72,3%
Website com chat de apoio ao cliente31,6%20,3%
Usam redes sociais83,9%86,9%

Leitura rápida: o alojamento português tem site quase tanto como o europeu, aceita reservas online mais vezes, vende mais por comércio eletrónico e tem sites em mais línguas. Mas, na hora de vender, apoia-se mais em plataformas de terceiros.

Há um detalhe curioso: 31,6% das empresas de alojamento portuguesas têm chat de apoio no site, contra 20,3% na UE. Ou seja, o setor investe no próprio site e ainda assim vende mais por fora. O site existe; o que muitas vezes falta é que seja o caminho mais fácil para reservar.

Nas redes sociais, o alojamento português fica ligeiramente abaixo da média europeia (83,9% contra 86,9%). Com o website (94,4% contra 95,7%), são as duas únicas linhas da tabela em que Portugal fica atrás da média.

Porque é que isto acontece

Os dados não explicam a causa, por isso o que segue é a nossa leitura. Portugal vive muito de turistas estrangeiros: em 2025, segundo o INE, os mercados externos fizeram 69,4% das dormidas. Um turista alemão ou americano que procura onde dormir em Lisboa ou no Algarve começa, muitas vezes, por uma plataforma que já conhece.

Para o alojamento, a plataforma resolve três problemas de uma vez: visibilidade lá fora, pagamento e confiança. É por isso que entrar é fácil. O problema aparece depois, quando quase todas as reservas passam a chegar pelo mesmo canal e o negócio deixa de ter contacto direto com os seus hóspedes.

Atenção ao âmbito: estes números do Eurostat cobrem empresas com 10 ou mais pessoas. A maioria dos alojamentos locais é muito mais pequena e fica de fora. Mesmo assim, a escolha entre plataforma e reserva direta é a mesma para um apartamento ou para um hotel.

Quanto custa depender das plataformas

Depende do contrato, e é por isso que convém lê-lo. A Booking.com não publica uma comissão fixa: a página para parceiros diz que a taxa depende do país, do tipo de alojamento e do acordo. Programas de maior visibilidade, como Preferred Partner ou Visibility Booster, acrescentam uma percentagem à comissão base. A própria Booking.com reconhece que a comissão paga influencia a posição nos resultados.

O Airbnb é mais transparente. Na página de ajuda, diz que a maioria dos anfitriões com taxa única paga 15,5%, e outros entre 14% e 16%. A taxa repartida de 3% ainda existe para alguns anfitriões mas está a ser descontinuada. Hotéis e quem usa software de gestão ficam obrigatoriamente na taxa única.

Exemplo ilustrativo: um apartamento que fatura 40 000 euros por ano através de uma plataforma paga, digamos, 6 000 euros em comissões (o valor real está no seu contrato). Se 10% dessas reservas passassem a ser diretas, ficariam 600 euros por ano no negócio, antes de qualquer custo de site ou pagamento online.

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Do lado dos clientes portugueses

Não são só os estrangeiros. Segundo o Eurostat, 19,0% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos compraram alojamento online nos três meses anteriores ao inquérito de 2025; a média da UE é 23,6%. Comprando só a empresas (hotéis, agências), os valores são 17,5% e 21,7%.

O turismo interno também conta. Em 2025, as dormidas de residentes no alojamento turístico chegaram a 25,1 milhões, mais 5,4% do que no ano anterior, segundo o INE. É um público que fala a sua língua, volta e recomenda. Faz pouco sentido pagar comissão sempre que volta. E é também o hóspede mais fácil de convencer a reservar direto, porque já conhece a casa e confia em quem o recebeu.

E no alojamento local?

O RNAL tinha 111 472 registos de alojamento local a 13 de outubro de 2026, segundo os dados abertos do Turismo de Portugal tratados na verificação FINEWEB de outubro de 2026. São sobretudo apartamentos (66 222) e moradias (35 920).

Para negócios deste tamanho, a pergunta é a mesma: que parte das reservas pode chegar por um canal seu? Contamos a evolução dos registos em alojamento local de 2014 a 2026 e os números do setor no estudo do alojamento local.

O que fazer

  1. Calcule o que paga hoje. Some as comissões de cada plataforma no último ano. É o número de partida para decidir quanto vale investir em reserva direta.
  2. Mantenha as plataformas para ser encontrado. Use-as para o primeiro contacto com hóspedes novos, sobretudo estrangeiros.
  3. Tenha um sítio seu para a segunda reserva. Um site simples, com calendário, preço e pagamento, ou pelo menos um contacto rápido por WhatsApp e email.
  4. Guarde o contacto dos hóspedes, com consentimento. Uma mensagem antes da época seguinte custa menos do que uma comissão.
  5. Seja coerente nos preços. Se der uma vantagem a quem reserva direto, escolha uma que não crie conflito com o seu contrato, como um extra em vez de desconto.

Se quer saber como começar, veja a página de sites para alojamento local e o artigo sobre reservas diretas e plataformas.

Perguntas frequentes

Quantas empresas de alojamento em Portugal vendem através de plataformas?

No inquérito do Eurostat de 2025, 81,6% das empresas de alojamento portuguesas com 10 ou mais pessoas vendiam pela web através de plataformas como a Booking.com ou o Airbnb. A média da UE era 65,9%.

Estes números incluem o alojamento local pequeno?

Não diretamente. O inquérito do Eurostat às empresas cobre empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço. Um alojamento local gerido por uma ou duas pessoas não entra nestes números, embora enfrente a mesma escolha entre plataformas e reserva direta.

Quanto cobra o Airbnb a um anfitrião?

Segundo a página de ajuda do Airbnb, a maioria dos anfitriões com taxa única paga 15,5% (outros entre 14% e 16%). A taxa repartida de 3% ainda existe para alguns, mas está a ser descontinuada. Hotéis e quem usa software de gestão ficam obrigatoriamente na taxa única.

A que ano se referem os dados de vendas do Eurostat?

Os indicadores de comércio eletrónico do inquérito de 2025 referem-se às vendas do ano civil anterior, ou seja, 2024. É a metodologia do Eurostat para este inquérito.

Vale a pena ter site se já estou na Booking.com e no Airbnb?

Sim, se o site servir para alguma coisa concreta: receber a reserva de quem volta, de quem foi recomendado e de quem o encontrou no Google. Um site sem reserva, sem preços e sem contacto rápido não muda nada.

Fontes

  1. Eurostat, E-commerce sales of enterprises by NACE Rev.2 (isoc_ec_eseln2), inquérito 2025, consultado a 13.10.2026
  2. Eurostat, Websites and functionalities by NACE Rev.2 (isoc_ciwebn2), 2025, consultado a 13.10.2026
  3. Eurostat, Social media use by NACE Rev.2 (isoc_cismtn2), 2025, consultado a 13.10.2026
  4. INE, Atividade Turística, 4.º trimestre de 2025 (destaque de 13.02.2026), consultado a 13.10.2026
  5. Eurostat, Internet purchases by individuals, goods and services (isoc_ec_ibgs), 2025, consultado a 13.10.2026
  6. Airbnb Help Center, Airbnb service fees (página em vigor), consultado a 13.10.2026
  7. Booking.com for Partners, Understanding your commission (página em vigor), consultado a 13.10.2026
  8. Booking.com, How we work (página em vigor), consultado a 13.10.2026

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