Estudo

O seu chatbot tem de dizer que é uma máquina

O Regulamento Europeu da IA obriga, desde 2 de agosto de 2026, a informar as pessoas quando falam com um sistema de IA. O adiamento publicado em julho não tocou nesta regra.

Atualizado a 1 de novembro de 2026Com fontes
Mãos a segurar um telemóvel com uma conversa desfocada no ecrã, numa mesa de café
Imagem ilustrativa

Desde 2 de agosto de 2026, um chatbot que fala com clientes na União Europeia tem de deixar claro que é uma IA, salvo se isso for óbvio. A regra está no artigo 50.º do Regulamento Europeu da IA e não foi adiada pelo pacote de simplificação publicado em julho de 2026.

O que diz a regra

O artigo 50.º, n.º 1, trata dos sistemas de IA que interagem diretamente com pessoas. Esses sistemas têm de ser feitos de forma a que a pessoa saiba que está a falar com uma IA.

Há uma exceção: quando isso é óbvio para uma pessoa razoavelmente informada. O problema é que «óbvio» é uma avaliação, não um número. Um assistente com um nome de pessoa e uma fotografia sorridente dificilmente passa no teste.

Na prática, para um hotel, restaurante ou loja com um chat no site, a forma mais segura de cumprir é dizer logo na primeira mensagem que é um assistente automático.

Exemplo ilustrativo: um hotel tem no site uma janela de chat chamada «Ana», com a fotografia de uma rececionista. Quem escreve às duas da manhã acha que está a falar com a receção. Se for uma IA a responder, é exatamente o caso que a regra quer evitar.

As datas que contam

Em julho de 2026 foi publicado o Digital Omnibus sobre IA, o Regulamento (UE) 2026/1744. Este pacote adiou as regras dos sistemas de alto risco. Mas não mexeu no aviso dos chatbots, que manteve a data de 2 de agosto.

DataO que acontece
24.07.2026Publicação do Digital Omnibus sobre IA, Reg. (UE) 2026/1744, no Jornal Oficial
27.07.2026O Omnibus entra em vigor
02.08.2026Aplica-se o art. 50.º: os chatbots têm de informar que são IA
02.12.2026Prazo para a marcação legível por máquina (art. 50.º, n.º 2) de sistemas que já estavam no mercado
02.12.2027 e 02.08.2028Novas datas para as regras de alto risco, adiadas pelo Omnibus

Fontes: texto do art. 50.º; Cooley, análise do Digital Omnibus (03.08.2026).

A marcação legível por máquina, do n.º 2, é uma obrigação técnica diferente, e a data mais larga só vale para sistemas que já estavam no mercado. Não confunda as duas datas. O aviso ao cliente que conversa com um chatbot aplica-se desde agosto.

O que está em jogo

As análises jurídicas sobre o Regulamento indicam que as infrações a estas obrigações podem dar coimas até 15 milhões de euros ou 3% do volume de negócios mundial, pelo artigo 99.º, n.º 4. São valores máximos. Para o texto final e os critérios de cálculo, consulte a publicação oficial no EUR-Lex.

Para um pequeno negócio, o risco mais provável não é a coima. É o cliente que descobre a meio da conversa que estava a falar com uma máquina e se sente enganado. Uma frase no início evita isso.

Quantos negócios têm chat

A regra interessa sobretudo ao alojamento, onde os chats já são comuns em Portugal.

Site com chat de apoio ao cliente (2025)PortugalUE
Alojamento31,6%20,3%
Alojamento e restauração8,7%9,8%
Todas as empresas9,6%9,1%

Fonte: Eurostat, empresas com 10 ou mais pessoas. O indicador inclui chats atendidos por pessoas e por chatbots.

Na nossa verificação, encontrámos ferramentas de chat ou assistente na página inicial de 8,2% dos sites de hotéis, 6,5% dos de bares e 1,2% dos de restaurantes (verificação FINEWEB, outubro de 2026). Veja os números do setor em hotéis em Portugal.

Do lado dos clientes, a IA já não é estranha: 38,7% dos portugueses entre 16 e 74 anos usaram ferramentas de IA generativa em 2025 (Eurostat). Muitos vão reconhecer um assistente. Mas a lei não pede que o cliente adivinhe; pede que seja informado. Os números do uso de IA estão em IA nas empresas portuguesas.

Não é parecer jurídico. Este artigo resume o texto do art. 50.º e uma análise jurídica publicada. Questões como quem é responsável pelo aviso, o fornecedor do sistema ou o negócio que o usa, dependem do caso. Se tem dúvidas, fale com um jurista. Na prática, garantir que o aviso aparece é do interesse de quem tem o chat no site.

Como avisar sem estragar a conversa

O aviso não precisa de ser um parágrafo legal. Bastam uma ou duas linhas claras, no início da conversa e no idioma do cliente.

Três cuidados ajudam:

Se ainda está a decidir se precisa de um assistente ou se um formulário chega, compare as opções em assistente, formulário ou WhatsApp.

Tem um chat no site e não sabe se avisa corretamente? Peça a análise gratuita e verificamos.

Falar no WhatsApp

O que fazer

  1. Descubra o que tem. Se tem um chat no site, pergunte a quem o instalou se responde com IA ou se é atendido por pessoas.
  2. Se for IA, ponha o aviso. Na primeira mensagem e no topo da janela, em todas as línguas em que o chat responde.
  3. Reveja o nome e a imagem do assistente. Nada que faça parecer uma pessoa da equipa.
  4. Garanta a passagem para uma pessoa. Um botão ou uma frase que leve a um contacto humano.
  5. Guarde prova. Uma captura de ecrã datada com o aviso visível ajuda se alguém perguntar.

Perguntas frequentes

O que diz o artigo 50.º do Regulamento da IA sobre chatbots?

O n.º 1 diz que os sistemas de IA que interagem diretamente com pessoas têm de as informar de que estão a falar com uma IA. A exceção é quando isso é óbvio para uma pessoa razoavelmente informada.

Desde quando se aplica esta regra?

Desde 2 de agosto de 2026. O Digital Omnibus sobre IA, publicado em julho de 2026, adiou as regras para sistemas de alto risco, mas não adiou o artigo 50.º.

O adiamento não se aplica também aos chatbots?

Não. Segundo a análise jurídica que consultámos, o Omnibus só deu mais prazo, até 2 de dezembro de 2026, à marcação legível por máquina prevista no n.º 2 do artigo 50.º, para sistemas que já estavam no mercado. O dever de avisar quem fala com um chatbot manteve a data.

Quanto pode custar não cumprir?

As análises jurídicas apontam para coimas até 15 milhões de euros ou 3% do volume de negócios mundial, pelo artigo 99.º, n.º 4. São valores máximos. Para o texto final e os critérios, consulte a publicação oficial no EUR-Lex ou um jurista.

Um formulário de contacto também precisa de aviso?

Não por esta regra. Um formulário que envia o pedido para uma pessoa não é um sistema de IA a falar com o cliente. O aviso aplica-se quando é uma IA que conversa ou responde.

Isto é aconselhamento jurídico?

Não. É um resumo prático das fontes indicadas. Se tem dúvidas sobre o seu caso, por exemplo sobre quem é responsável pelo sistema, fale com um jurista.

Fontes

  1. Artificial Intelligence Act, Artigo 50.º, obrigações de transparência (texto do Regulamento Europeu da IA), consultado a 13.10.2026
  2. Cooley, Digital AI Omnibus delays key deadlines, introduces new rules (03.08.2026), consultado a 13.10.2026
  3. Eurostat, Websites and functionalities by NACE Rev.2 (isoc_ciwebn2), dados de 2025, consultado a 13.10.2026
  4. Eurostat, Use of generative AI tools by individuals (isoc_ai_iaiu), dados de 2025, consultado a 13.10.2026

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