Em 2025, 38,7% dos portugueses entre 16 e 74 anos usaram ferramentas de IA generativa. No mesmo ano, só 11,5% das empresas portuguesas usavam alguma tecnologia de IA. Os clientes estão a mudar a forma como procuram mais depressa do que os negócios onde vão comprar.
Os números lado a lado
O Eurostat mede as duas coisas todos os anos, com inquéritos separados: um às pessoas, outro às empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço.
| Indicador (2025) | Portugal | UE |
|---|---|---|
| Pessoas (16 a 74) que usaram IA generativa nos últimos 3 meses | 38,7% | 32,7% |
| Pessoas que a usaram para fins privados | 33,2% | 25,5% |
| Empresas que usam IA | 11,5% | 20,0% |
| Empresas que usavam IA em 2024 | 8,6% | 13,5% |
| Pequenas empresas (10 a 49 pessoas) | 9,4% | 17,0% |
| Alojamento | 16,1% | 21,3% |
| Alojamento e restauração | 8,3% | 12,0% |
| Alojamento que usa IA em marketing ou vendas | 11,3% | 12,5% |
Fonte: Eurostat, 2025 (e 2024 onde indicado).
Os portugueses estão acima da média europeia no uso pessoal. As empresas estão abaixo. O cliente português vai à frente do europeu, a empresa portuguesa fica para trás, e a distância entre os dois é grande.
Quem usa e quem não usa
Segundo o INE, o uso de IA nas empresas subiu 2,9 pontos percentuais em 2025. Mas a subida está concentrada nas maiores.
- Grandes empresas: 49,1%.
- Médias empresas: 18,2%.
- Pequenas empresas: 9,4%.
- Informação e comunicação: 52,8%.
- Construção e imobiliário: 5,5%.
No alojamento, Portugal está mais perto da Europa: 16,1% contra 21,3%, e 11,3% das empresas usam IA em marketing ou vendas, perto da média europeia de 12,5%. É a área de uso mais próxima do dia a dia de um pequeno alojamento. No setor de alojamento e restauração junto, o valor cai para 8,3%. Tal como acontece com os sites, a parte mais atrasada deve ser a restauração, mas isso é uma leitura nossa: o Eurostat não publica a restauração sozinha.
E as empresas com menos de 10 pessoas, o tamanho de muitos cafés, bares e restaurantes familiares, nem entram nestes números.
O que os clientes fazem com a IA
Aqui os números variam muito conforme a pergunta. Vale a pena ler cada um com a definição ao lado.
- Nos EUA, 45% dos consumidores dizem usar o ChatGPT ou outra IA para pedir recomendações de negócios locais, contra 6% no ano anterior. É a terceira fonte mais usada (BrightLocal, 2026, consumidores americanos).
- Na Europa, 48% dos viajantes de lazer usaram ferramentas de IA para planear viagens em 2025, mais 7 pontos do que em 2024 (MMGY Travel Intelligence).
- No Reino Unido, só 8% dos viajantes usaram IA para planear ou reservar, e 48% usaram pesquisa geral na internet (ABTA, 2025).
Mesmo no inquérito americano, a IA ainda é só a terceira fonte de recomendações, atrás de outras duas. A leitura honesta: muita gente já usa IA para ter ideias e comparar. Muito menos gente reserva através dela. Mas as respostas que a IA dá sobre o seu negócio vêm do que está publicado na internet, e isso depende de si.
Aparecer nas respostas da IA
Nos blogs de marketing em inglês, «aparecer no ChatGPT» é já tratado como o novo SEO local. Muitos textos dizem que os assistentes escolhem negócios pelas menções noutros sites, como avaliações, listas e fóruns. Não temos dados portugueses que o confirmem.
A nossa opinião para Portugal é mais simples. Antes de pensar em truques, garanta que a informação básica existe, está certa e está em texto. Um assistente não adivinha o seu horário a partir de uma fotografia do menu. Se o site diz uma coisa, o Google outra e as redes uma terceira, a resposta que o cliente recebe vai estar errada.
Isto é o mesmo trabalho que ajuda no Google. Veja o nosso guia sobre o Perfil da Empresa no Google.
Usar IA no próprio negócio
Para um pequeno negócio, o uso mais útil costuma estar nas tarefas repetidas: responder às mesmas perguntas, preparar textos, traduzir o menu. Comece por uma tarefa que lhe roube tempo todas as semanas, e não por um projeto grande.
Exemplo ilustrativo: um alojamento com 10 quartos recebe 20 emails por semana com as mesmas perguntas sobre check-in e estacionamento. Se cada resposta leva 5 minutos, são perto de duas horas por semana. É aí que um conjunto de respostas prontas, ou um assistente, começa a fazer sentido.
Se puser um assistente a falar com os clientes no site, há uma regra nova: desde 2 de agosto de 2026, tem de ficar claro que é IA. Explicamos tudo em chatbots e a lei europeia de IA. E se ainda não sabe se precisa de assistente, compare as opções em assistente, formulário ou WhatsApp.
Quer saber se a informação do seu site está clara para clientes e para as ferramentas que eles usam? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Ponha o essencial em texto no site. Morada, horário, preços ou valores «desde», como reservar, línguas faladas, estacionamento.
- Alinhe todas as fontes. O mesmo horário e os mesmos contactos no site, no Google, nas redes e nas plataformas onde está.
- Pergunte por si. Peça a um assistente de IA que recomende um negócio como o seu na sua zona e veja o que diz. Corrija na origem o que estiver errado.
- Escolha uma tarefa repetida. Respostas a perguntas frequentes ou tradução do menu são bons começos. Meça o tempo que poupa.
- Se a IA falar com clientes, avise. Uma frase no início da conversa resolve a obrigação legal e evita mal-entendidos.
