Estudo

Os clientes já usam IA, as empresas portuguesas ainda pouco

Os portugueses usam ferramentas de IA generativa mais do que a média europeia. As empresas portuguesas usam IA bem menos do que a média. Veja os números e o que fazer com eles.

Atualizado a 29 de outubro de 2026Com fontes
Vista aérea de uma vila portuguesa ao fim da tarde, com telhados de terracota
Imagem ilustrativa

Em 2025, 38,7% dos portugueses entre 16 e 74 anos usaram ferramentas de IA generativa. No mesmo ano, só 11,5% das empresas portuguesas usavam alguma tecnologia de IA. Os clientes estão a mudar a forma como procuram mais depressa do que os negócios onde vão comprar.

Os números lado a lado

O Eurostat mede as duas coisas todos os anos, com inquéritos separados: um às pessoas, outro às empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço.

Indicador (2025)PortugalUE
Pessoas (16 a 74) que usaram IA generativa nos últimos 3 meses38,7%32,7%
Pessoas que a usaram para fins privados33,2%25,5%
Empresas que usam IA11,5%20,0%
Empresas que usavam IA em 20248,6%13,5%
Pequenas empresas (10 a 49 pessoas)9,4%17,0%
Alojamento16,1%21,3%
Alojamento e restauração8,3%12,0%
Alojamento que usa IA em marketing ou vendas11,3%12,5%

Fonte: Eurostat, 2025 (e 2024 onde indicado).

Os portugueses estão acima da média europeia no uso pessoal. As empresas estão abaixo. O cliente português vai à frente do europeu, a empresa portuguesa fica para trás, e a distância entre os dois é grande.

Atenção à comparação: as duas perguntas não são iguais. Às pessoas pergunta-se se usaram IA generativa, como um assistente de conversa. Às empresas pergunta-se se usam qualquer tecnologia de IA no negócio. Dizer que os clientes usam IA três vezes mais do que as empresas é uma boa imagem do desfasamento, mas não é uma medida exata.

Quem usa e quem não usa

Segundo o INE, o uso de IA nas empresas subiu 2,9 pontos percentuais em 2025. Mas a subida está concentrada nas maiores.

No alojamento, Portugal está mais perto da Europa: 16,1% contra 21,3%, e 11,3% das empresas usam IA em marketing ou vendas, perto da média europeia de 12,5%. É a área de uso mais próxima do dia a dia de um pequeno alojamento. No setor de alojamento e restauração junto, o valor cai para 8,3%. Tal como acontece com os sites, a parte mais atrasada deve ser a restauração, mas isso é uma leitura nossa: o Eurostat não publica a restauração sozinha.

E as empresas com menos de 10 pessoas, o tamanho de muitos cafés, bares e restaurantes familiares, nem entram nestes números.

O que os clientes fazem com a IA

Aqui os números variam muito conforme a pergunta. Vale a pena ler cada um com a definição ao lado.

Mesmo no inquérito americano, a IA ainda é só a terceira fonte de recomendações, atrás de outras duas. A leitura honesta: muita gente já usa IA para ter ideias e comparar. Muito menos gente reserva através dela. Mas as respostas que a IA dá sobre o seu negócio vêm do que está publicado na internet, e isso depende de si.

Aparecer nas respostas da IA

Nos blogs de marketing em inglês, «aparecer no ChatGPT» é já tratado como o novo SEO local. Muitos textos dizem que os assistentes escolhem negócios pelas menções noutros sites, como avaliações, listas e fóruns. Não temos dados portugueses que o confirmem.

A nossa opinião para Portugal é mais simples. Antes de pensar em truques, garanta que a informação básica existe, está certa e está em texto. Um assistente não adivinha o seu horário a partir de uma fotografia do menu. Se o site diz uma coisa, o Google outra e as redes uma terceira, a resposta que o cliente recebe vai estar errada.

Isto é o mesmo trabalho que ajuda no Google. Veja o nosso guia sobre o Perfil da Empresa no Google.

Usar IA no próprio negócio

Para um pequeno negócio, o uso mais útil costuma estar nas tarefas repetidas: responder às mesmas perguntas, preparar textos, traduzir o menu. Comece por uma tarefa que lhe roube tempo todas as semanas, e não por um projeto grande.

Exemplo ilustrativo: um alojamento com 10 quartos recebe 20 emails por semana com as mesmas perguntas sobre check-in e estacionamento. Se cada resposta leva 5 minutos, são perto de duas horas por semana. É aí que um conjunto de respostas prontas, ou um assistente, começa a fazer sentido.

Se puser um assistente a falar com os clientes no site, há uma regra nova: desde 2 de agosto de 2026, tem de ficar claro que é IA. Explicamos tudo em chatbots e a lei europeia de IA. E se ainda não sabe se precisa de assistente, compare as opções em assistente, formulário ou WhatsApp.

Quer saber se a informação do seu site está clara para clientes e para as ferramentas que eles usam? Peça a análise gratuita.

Falar no WhatsApp

O que fazer

  1. Ponha o essencial em texto no site. Morada, horário, preços ou valores «desde», como reservar, línguas faladas, estacionamento.
  2. Alinhe todas as fontes. O mesmo horário e os mesmos contactos no site, no Google, nas redes e nas plataformas onde está.
  3. Pergunte por si. Peça a um assistente de IA que recomende um negócio como o seu na sua zona e veja o que diz. Corrija na origem o que estiver errado.
  4. Escolha uma tarefa repetida. Respostas a perguntas frequentes ou tradução do menu são bons começos. Meça o tempo que poupa.
  5. Se a IA falar com clientes, avise. Uma frase no início da conversa resolve a obrigação legal e evita mal-entendidos.

Perguntas frequentes

Quantas empresas portuguesas usam inteligência artificial?

Em 2025, 11,5% das empresas portuguesas com 10 ou mais pessoas usavam pelo menos uma tecnologia de IA, contra 8,6% em 2024. Na média da UE eram 20,0%. Nas pequenas empresas, de 10 a 49 pessoas, o valor português é 9,4%.

E quantas pessoas usam IA em Portugal?

Em 2025, 38,7% dos portugueses entre 16 e 74 anos usaram ferramentas de IA generativa nos três meses anteriores, acima da média europeia de 32,7%. Para fins privados, 33,2% em Portugal contra 25,5% na UE.

Os turistas usam IA para escolher onde ficar?

Depende muito da pergunta. Um inquérito da MMGY encontrou 48% dos viajantes de lazer europeus a usar IA para planear viagens em 2025. Outro, da ABTA, encontrou só 8% dos britânicos a usar IA para planear ou reservar. Usar para ter ideias não é o mesmo que usar para reservar.

Um pequeno negócio precisa de usar IA?

Não é obrigatório, e não deve ser a primeira prioridade. Antes disso, convém que a informação básica do negócio esteja correta e em texto no site e no Perfil da Empresa no Google, porque é daí que os clientes e as ferramentas que eles usam tiram respostas.

Se puser um assistente de IA no site, tenho de avisar?

Sim. Desde 2 de agosto de 2026, um sistema de IA que fala diretamente com pessoas tem de informar que é IA, salvo se isso for óbvio. Explicamos a regra no artigo sobre chatbots e a lei europeia de IA.

Fontes

  1. Eurostat, Use of generative AI tools by individuals (isoc_ai_iaiu), dados de 2025, consultado a 13.10.2026
  2. Eurostat, Artificial intelligence by size class of enterprise (isoc_eb_ai), dados de 2024 e 2025, consultado a 13.10.2026
  3. Eurostat, Artificial intelligence by NACE Rev.2 activity (isoc_eb_ain2), dados de 2025, consultado a 13.10.2026
  4. ECO, Só 11,5% das empresas portuguesas usam IA (INE, 21.11.2025), consultado a 13.10.2026
  5. BrightLocal, Local Consumer Review Survey 2026 (EUA), consultado a 13.10.2026
  6. Green Lodging News, MMGY Travel Intelligence sobre viajantes europeus e IA (07.10.2025), consultado a 13.10.2026
  7. BBC, ABTA: viajantes britânicos e IA (07.10.2025), consultado a 13.10.2026

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