Estudo

Lei Europeia da Acessibilidade: o que muda para pequenos negócios

O Decreto-Lei 82/2022 aplica-se desde 28 de junho de 2025 e abrange serviços de comércio eletrónico. As microempresas de serviços ficam de fora; um hotel com reservas online e uma equipa maior pode estar abrangido.

Atualizado a 30 de outubro de 2026Com fontes
Imagem ilustrativa

Desde 28 de junho de 2025 aplica-se em Portugal o Decreto-Lei 82/2022, que transpõe o Ato Europeu da Acessibilidade. Abrange, entre outros, os serviços de comércio eletrónico. As microempresas que prestam serviços, com menos de 10 pessoas e volume de negócios ou balanço até 2 milhões de euros, ficam de fora. Um café pequeno, por exemplo, fica fora; um hotel com reservas online e uma equipa maior pode estar abrangido.

O que é e desde quando

O Ato Europeu da Acessibilidade é uma diretiva da UE que obriga certos produtos e serviços a serem utilizáveis por pessoas com deficiência. Portugal transpô-la pelo Decreto-Lei 82/2022, aplicável desde 28 de junho de 2025.

A lista de serviços abrangidos inclui os serviços de comércio eletrónico e elementos dos serviços de transporte, entre outros. Para um pequeno negócio de hotelaria ou restauração, a pergunta que interessa é a primeira: vende ou aceita reservas pagas através do site?

Quem fica de fora

A lei exclui as microempresas que prestam serviços. Microempresa, aqui, é a que tem menos de 10 pessoas ao serviço e volume de negócios anual ou balanço total até 2 milhões de euros.

Exemplo ilustrativoPessoasVende ou reserva onlineEnquadramento provável
Café de bairro com site informativo4NãoFora (microempresa e sem comércio eletrónico)
Alojamento local com reservas no site3SimFora (microempresa de serviços)
Restaurante com encomendas online15SimPode estar abrangido
Hotel com motor de reservas25SimPode estar abrangido

Os exemplos são hipotéticos e não substituem uma análise jurídica. Contam as pessoas ao serviço e também o volume de negócios ou o balanço.

Quantas empresas podem estar em causa

O Eurostat mede os sites das empresas com 10 ou mais pessoas, precisamente as que ficam fora da exclusão das microempresas. Os números de 2025 mostram onde estão as funções de venda online.

Empresas com 10+ pessoas, 2025PortugalUE
Pequenas empresas (10 a 49 pessoas) com website59,2%76,7%
Alojamento: site com reservas ou encomendas online88,0%81,0%
Alojamento e restauração: site com reservas ou encomendas online32,9%48,0%
Todas as empresas: site com reservas ou encomendas online16,5%22,5%

Fonte: Eurostat, isoc_ciweb e isoc_ciwebn2, 2025.

A leitura é direta. Quase nove em cada dez empresas de alojamento com 10 ou mais pessoas têm reservas ou encomendas no site, acima da média europeia. São estas que mais provavelmente têm de olhar para a lei. Na restauração, a parte com funções de venda online é bem menor.

A primeira linha da tabela conta outra história. Só 59,2% das pequenas empresas portuguesas com 10 a 49 pessoas têm website, contra 76,7% na UE. Para quem ainda vai fazer o primeiro site, é a melhor altura para o fazer acessível desde o início, em vez de o corrigir mais tarde.

Isto não é parecer jurídico. Um hotel com reservas online e 10 ou mais pessoas pode estar abrangido como serviço de comércio eletrónico, mas a resposta depende do caso. Antes de investir, ou de concluir que está fora, confirme com um jurista ou com a sua associação do setor.

Prazos e consequências

Há um regime de transição: contratos de serviço celebrados antes da aplicação da lei podem manter-se até 28 de junho de 2030. Não conte com isto como adiamento geral. Um site novo, ou um motor de reservas contratado agora, em princípio já deve cumprir.

O incumprimento é contraordenação, nos termos do artigo 29.º do decreto-lei.

O que torna um site mais acessível

A lei remete para requisitos técnicos que não cabem neste artigo. Mas há boas práticas conhecidas que qualquer site pode adotar, abrangido ou não:

Perguntas a fazer a quem faz ou mantém o site

Se o seu site é feito por um fornecedor, antes de pagar um site novo ou de renovar um motor de reservas, peça respostas por escrito a estas perguntas:

Respostas vagas como «está tudo preparado» não chegam. Peça para ver, num ecrã, uma reserva feita só com teclado.

Os hotéis são o setor com mais funções de reserva no site. Os números da nossa verificação estão no estudo dos sites dos hotéis.

Quer saber se o percurso de reserva do seu site funciona com teclado e no telemóvel? Peça a análise gratuita.

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O que fazer

  1. Veja se é microempresa. Conte as pessoas ao serviço e confirme com o contabilista o volume de negócios e o balanço.
  2. Se não é, peça parecer. Com 10 ou mais pessoas e reservas ou vendas no site, confirme com um jurista se o serviço está abrangido.
  3. Pergunte ao fornecedor do motor de reservas. Peça por escrito o que já cumpre em acessibilidade e o que falta.
  4. Teste o percurso de reserva. Faça uma reserva só com teclado e outra no telemóvel com letra aumentada. Anote onde encrava.
  5. Inclua a acessibilidade no próximo site. É mais barato pensar nela desde o início do que corrigir depois. Veja o que entra num projeto em sites para hotéis.

Perguntas frequentes

O que é o Ato Europeu da Acessibilidade?

É a regra europeia que obriga certos produtos e serviços a serem acessíveis a pessoas com deficiência. Em Portugal foi transposta pelo Decreto-Lei 82/2022 e aplica-se desde 28 de junho de 2025, entre outros, aos serviços de comércio eletrónico.

O meu pequeno negócio está abrangido?

As microempresas que prestam serviços estão excluídas: menos de 10 pessoas e volume de negócios anual ou balanço até 2 milhões de euros. Se o seu negócio passa estes limites e vende ou aceita reservas online, pode estar abrangido.

Um hotel com motor de reservas no site está abrangido?

Pode estar, como serviço de comércio eletrónico, se não for microempresa. A resposta depende do caso concreto, por isso vale a pena pedir parecer jurídico antes de concluir que está dentro ou fora.

Há prazo de transição?

Sim, para contratos de serviço celebrados antes da aplicação da lei, que podem manter-se até 28 de junho de 2030. O incumprimento das regras é contraordenação, segundo o artigo 29.º do decreto-lei.

Se estou excluído, devo ignorar a acessibilidade?

Não é obrigatório, mas um site que funciona com teclado, tem contraste legível e descreve as imagens serve melhor todos os clientes. Muitas destas melhorias custam pouco quando se faz ou refaz o site.

Fontes

  1. ANAC, Decreto-Lei n.º 82/2022 (2022), consultado a 13.10.2026
  2. Morais Leitão, Novos requisitos e obrigações relativos à acessibilidade de produtos e serviços, Parte I (2022), consultado a 13.10.2026
  3. DGAE, Comércio: transposta diretiva relativa à acessibilidade de produtos e serviços, consultado a 13.10.2026
  4. Eurostat, isoc_ciweb, websites das empresas (2025), consultado a 13.10.2026
  5. Eurostat, isoc_ciwebn2, funções dos websites por setor (2025), consultado a 13.10.2026

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