A Uber Eats publica a sua tabela de preços para restaurantes em Portugal: 30% por cada pedido entregue por ela, 20% se for o restaurante a entregar e 15% nos pedidos de recolha, mais uma subscrição de 3,49 € por semana. Num pedido de 20 €, isso pode ser 6 € que não chegam à caixa.
A tabela pública da Uber Eats
A Uber Eats publica os seus preços para Portugal de forma aberta, na página para parceiros. Os valores abaixo são os que estavam em vigor quando consultámos a página, a 13 de outubro de 2026.
| Tipo de pedido | Comissão | Com Uber One |
|---|---|---|
| Entrega feita pela Uber | 30% | 33% |
| Entrega feita pelo restaurante | 20% | 23% |
| Recolha pelo cliente | 15% | sem dado |
| Subscrição | 3,49 € por semana | |
Fonte: Uber Eats Merchants, preços para Portugal, consultado a 13.10.2026.
Repare na diferença entre a primeira e a última linha. O mesmo pedido custa o dobro em comissão se for entregue pela plataforma em vez de ser levantado pelo cliente.
O que se sabia antes
Em 2020, a DECO PROTESTE analisou os contratos das plataformas de entrega. Encontrou comissões de 15% a 30% na Uber Eats, com taxas extra, e de 35% sobre as vendas na Glovo. A Glovo respondeu na altura que as suas comissões variavam entre 5% e 35%.
Em 2021, durante o estado de emergência, o Governo limitou as comissões a 20%. O limite caiu quando o estado de emergência terminou.
| Momento | O que foi publicado |
|---|---|
| 2020, análise DECO | Uber Eats 15% a 30% mais taxas; Glovo 35% sobre vendas (a Glovo indicava 5% a 35%) |
| 2021, estado de emergência | Limite legal de 20%, apenas temporário |
| 2026, tabela Uber Eats | 15% a 33% conforme o tipo de pedido, mais 3,49 € por semana |
Para as outras plataformas não damos números atuais. O último dado público que conseguimos confirmar é o da DECO, de 2020, e já tem seis anos.
Quanto fica de um pedido
Exemplo ilustrativo: um pedido de 20 €, com a tabela pública da Uber Eats.
- Entregue pela Uber, a 30%: 6 € de comissão, ficam 14 €.
- Entregue pelo restaurante, a 20%: 4 € de comissão, ficam 16 €, mas paga o estafeta.
- Recolha pelo cliente, a 15%: 3 € de comissão, ficam 17 €.
Desses 14 a 17 € ainda saem a comida, a embalagem, a equipa e os impostos. Se a sua margem num prato já é apertada na sala, a 30% pode ser negativa na app.
A subscrição também conta. A 3,49 € por semana, paga durante um ano inteiro dá 181,48 €. É pouco para quem recebe muitos pedidos e pesa para quem recebe meia dúzia por semana.
Os clientes estão lá
Nada disto quer dizer que as apps não valham a pena. Os portugueses encomendam refeições online tanto como a média dos europeus.
Em 2024, 19,4% dos portugueses entre 16 e 74 anos encomendaram refeições online nos três meses anteriores, perto da média europeia de 19,8%. E entre quem faz compras online, as refeições pesam mais em Portugal: 39,6%, contra 32,9% na UE (Eurostat).
Ou seja, a encomenda de comida é uma parte grande do que os portugueses compram online. Estar fora das apps também tem um custo: o cliente que não o encontra lá encomenda a outro.
A app como custo de angariar clientes
Em blogs de restauração em inglês, repete-se uma ideia útil: tratar a comissão como o preço de conquistar um cliente novo, e não como o preço de todos os pedidos para sempre.
Na prática, o primeiro pedido vem pela app e paga comissão. Se esse cliente gostar, o objetivo é que o segundo e o terceiro pedido venham direto a si: por telefone, WhatsApp ou pelo seu site, para levantar ou com entrega própria.
Para isso, o cliente precisa de saber que pode encomendar direto. Um cartão no saco com o número de WhatsApp e o endereço do menu online faz esse trabalho. Antes de o fazer, leia o contrato com a plataforma para confirmar se há regras sobre o que pode pôr na embalagem.
Também vale a pena empurrar a recolha. Se o cliente mora perto, um pedido de recolha pela app paga metade da comissão de uma entrega, e um pedido de recolha direto não paga nenhuma.
Exemplo ilustrativo: se 20 clientes habituais passarem a encomendar direto uma vez por semana, com pedidos de 20 €, são 400 € por semana que deixam de pagar 30% de comissão. Ficam 120 € por semana no restaurante.
Quer que os clientes habituais encomendem direto pelo seu site? Peça a análise gratuita e veja o que falta.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Faça a conta por canal. Pegue nos pedidos de um mês e separe por app, tipo de entrega e encomenda direta. Some comissões e subscrições e veja quanto fica, em euros, de cada canal.
- Reveja os preços na app. Veja no seu contrato se pode ter preços diferentes na app e na loja. Se puder, ajuste os pratos onde a comissão come a margem.
- Prefira a recolha. Diga no seu perfil e no site que pode levantar no balcão. Na tabela da Uber Eats, a recolha custa 15% em vez de 30%.
- Tenha um canal direto simples. Um menu online com preços e um botão de WhatsApp ou telefone para encomendar chega para começar. Veja exemplos em sites para restaurantes.
- Convide quem volta. Um cartão no saco, um QR na montra ou uma mensagem no Perfil da Empresa no Google lembram o cliente de que pode encomendar direto.
- Volte a olhar daqui a três meses. Compare quantos pedidos passaram da app para o canal direto e quanto poupou em comissões.
Se ainda não tem site, comece pelo artigo sobre a restauração sem site e pelos números do setor em restaurantes em Portugal.
