Em 2025, só 50,5% das empresas portuguesas de alojamento e restauração com 10 ou mais pessoas ao serviço tinham website. Na média da União Europeia eram 76,5%. São 26 pontos de diferença, o maior atraso entre todos os indicadores digitais deste setor que analisámos.
O que diz o Eurostat
Todos os anos, o Eurostat pergunta às empresas europeias como usam a internet. O inquérito cobre empresas com 10 ou mais pessoas ao serviço, sem o setor financeiro. Os números abaixo são de 2025.
Portugal está atrás da média europeia em quase tudo o que tem a ver com site próprio. Mas o atraso não é igual em todos os setores.
| Grupo de empresas | Portugal | UE27 | Diferença |
|---|---|---|---|
| Todas as empresas (10+ pessoas) | 62,9% | 79,0% | -16,1 p.p. |
| Pequenas empresas (10 a 49 pessoas) | 59,2% | 76,7% | -17,5 p.p. |
| Alojamento e restauração | 50,5% | 76,5% | -26,0 p.p. |
| Só alojamento | 94,4% | 95,7% | -1,3 p.p. |
Fonte: Eurostat, empresas com website, 2025. Diferença calculada por nós.
Porque o atraso deve ser da restauração
O Eurostat publica dois números para este setor: alojamento e restauração em conjunto, e só alojamento. Não publica a restauração sozinha nestes quadros.
O alojamento português tem site em 94,4% dos casos, quase igual à média europeia. Se uma parte do setor está ao nível da Europa e o conjunto fica 26 pontos abaixo, a outra parte tem de puxar a média para baixo. Essa outra parte são restaurantes, cafés, bares e similares.
Isto é uma inferência nossa a partir dos números publicados. Não existe um valor oficial de restaurantes com site em Portugal. Mas a conta é difícil de contornar.
Há ainda um pormenor que pesa: em número de empresas, a restauração é bem maior do que o alojamento. No continente havia 69 888 empresas de restauração e similares e 41 414 de alojamento (INE, dados de 2022, compilados na verificação FINEWEB, outubro de 2026).
Não falta só o site
Quando olhamos para o que os sites fazem, o padrão repete-se. O alojamento português está à frente da média europeia. O setor completo fica atrás.
| Indicador (2025) | Alojamento e restauração PT | UE | Só alojamento PT | UE |
|---|---|---|---|---|
| Site com reservas ou encomendas online | 32,9% | 48,0% | 88,0% | 81,0% |
| Site em pelo menos duas línguas | 32,3% | 38,0% | 79,4% | 72,3% |
| Usa redes sociais | 71,6% | 78,3% | 83,9% | 86,9% |
No alojamento, vender online já é a regra: 81,6% das empresas de alojamento em Portugal vendem através de plataformas como a Booking ou a Airbnb (Eurostat, inquérito 2025). Na restauração, o caminho tem sido outro. Muitos restaurantes vivem do passa-palavra, da rua e do telefone, e isso funcionou durante muito tempo.
O que vemos no mapa
Para ter outra perspetiva, contámos os restaurantes do continente no OpenStreetMap, o mapa colaborativo. Encontrámos 16 958 restaurantes, dos quais 2 135 têm um site indicado, cerca de 12,6% (verificação FINEWEB, outubro de 2026).
Atenção: o OpenStreetMap é uma amostra, não um censo. Muitos restaurantes com site não o têm registado no mapa. Este número não diz que só 12,6% têm site. Diz que, para quem procura no mapa, a maioria dos restaurantes não aponta para lado nenhum.
Quando testámos esses endereços, 263 já não abriam. Os resultados completos estão no artigo sobre os sites dos restaurantes em 2026.
Os clientes procuram na mesma
A falta de site não significa que os clientes não procurem online. Procuram, e decidem com o que encontram.
- Dois em cada três utilizadores de redes sociais em Portugal pesquisam restaurantes e bares nas redes (Marktest, 2025).
- 44% desses utilizadores já reservaram mesa a partir de uma informação ou recomendação que viram nas redes (Marktest, 2025).
- 19,4% dos portugueses entre 16 e 74 anos encomendaram refeições online nos três meses anteriores, perto da média europeia de 19,8% (Eurostat, 2024).
Quem não tem site deixa outros contar a sua história. O cliente vê as fotografias que outros clientes tiraram, um horário que talvez esteja errado e a página de uma plataforma que cobra comissão. Nada disso é controlado por si.
E as redes sociais, não chegam?
As redes ajudam, e o setor usa-as: 71,6% das empresas de alojamento e restauração estão nas redes sociais. Mas uma página de Instagram não é um site.
Nas redes, o menu fica perdido entre publicações antigas. O horário está numa legenda de há dois anos. Quem não usa essa rede não vê nada, e a rede decide quem vê o quê. Um site é o único endereço que é seu e que pode pôr no Perfil da Empresa no Google, no cartão, no saco de take-away e no QR da mesa.
Não precisa de escolher. O site guarda a informação certa e as redes trazem as pessoas até ela.
Quer saber o que falta no site do seu restaurante, ou se vale a pena criar um? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Comece pequeno. Uma página com morada e mapa, horário, telefone que se toca para ligar, menu em texto com preços e fotografias reais já resolve as perguntas mais comuns.
- Ponha o menu em texto, não só em imagem. Um menu em texto lê-se melhor no telemóvel e é mais fácil de atualizar quando muda um preço.
- Deixe pedir reserva sem telefonar. Um formulário curto ou um botão de WhatsApp chega para começar. Veja as opções no artigo sobre reservas online em restaurantes.
- Traduza o essencial. Só 32,3% das empresas do setor têm site em duas línguas. Menu e horário em inglês já põem o seu restaurante à frente da maioria.
- Ligue tudo ao mesmo endereço. Ponha o link do site no Perfil da Empresa no Google, nas redes e no material impresso, para que todos os caminhos levem à mesma informação.
- Faça as contas antes de decidir. No guia quanto custa um site explicamos o que é razoável pagar por cada tipo de site.
