Lemos blogs e fóruns em inglês e espanhol sobre restaurantes, hotéis e negócios locais. Quatro temas repetem-se em 2026: aparecer nas respostas dos assistentes de IA, tratar as apps de entrega como custo de angariação, pôr a IA a atender o telefone e fazer da reserva direta um sistema. Alguns destes textos usam números americanos ou números sem fonte. Ao lado de cada tema, pomos os números portugueses que temos.
Os temas e os números portugueses
| Tema lá fora | O que se diz | Número que temos para Portugal ou para a Europa |
|---|---|---|
| IA na pesquisa local | Os assistentes escolhem negócios pelo que se diz deles noutros sites | 38,7% dos portugueses usaram IA generativa; só 11,5% das empresas usam IA (Eurostat, 2025) |
| Apps de entrega | A comissão é custo de angariar clientes, não um modelo de negócio | Uber Eats em Portugal: 30%, 20% ou 15% por pedido, conforme a entrega |
| Telefone atendido por IA | Entusiasmo de uns, ceticismo de outros | 83,6% dos portugueses usam mensagens instantâneas (Eurostat, 2025) |
| Reserva direta | Um sistema completo, não um botão | 81,6% do alojamento português vende através de plataformas, contra 65,9% na UE (Eurostat, inquérito 2025) |
1. «Aparecer no ChatGPT» é o novo SEO local
Muitos textos de 2026, sobretudo em inglês, defendem que os assistentes de IA escolhem negócios pelo que se diz deles em sites de terceiros (avaliações, listas, fóruns como o Reddit), e não pela proximidade, como faz o Google Maps. Daí a corrida a «aparecer» nessas respostas.
Os números de uso variam muito conforme a pergunta. Nos EUA, a BrightLocal diz que 45% dos consumidores usam o ChatGPT ou outra IA para recomendações de negócios locais (6% no ano anterior). Na Europa, a MMGY conta 48% de viajantes de lazer a usar IA para planear viagens. No Reino Unido, a ABTA encontrou só 8% que usaram IA para planear ou reservar.
Em Portugal, 38,7% das pessoas entre 16 e 74 anos usaram IA generativa nos últimos três meses (UE: 32,7%). Nas empresas, só 11,5%. Os clientes estão à frente dos negócios, mas não sabemos quantos portugueses usam a IA para escolher onde jantar.
A nossa leitura: ninguém tem uma fórmula provada para «aparecer no ChatGPT». O que ajuda os assistentes é o mesmo que ajuda os clientes: avaliações recentes, informação igual em todo o lado e um site que diz com clareza o que o negócio faz, onde e a que horas. Mais sobre o tema em IA nas empresas portuguesas.
2. Apps de entrega como canal pago
Nos blogs de restauração em inglês, uma ideia frequente é tratar a comissão das apps de entrega como custo de angariar um cliente novo. A app traz o primeiro pedido; o restaurante tenta que o segundo já seja feito diretamente.
Em Portugal, a Uber Eats publica a tabela: 30% por pedido entregue pela Uber, 20% com entrega própria e 15% em recolha, mais 3,49 € por semana de subscrição. E a procura existe: 19,4% dos portugueses encomendaram refeições online nos últimos três meses (Eurostat, 2024).
Exemplo ilustrativo: num pedido de 20 € entregue pela Uber, a comissão de 30% são 6 €. Se esse cliente passar a encomendar pelo telefone ou pelo site do restaurante, essa parte fica em casa. Analisamos as comissões em comissões das plataformas de entrega.
3. Atendimento telefónico por IA
Aqui as opiniões dividem-se. Uns vendem a recuperação de chamadas perdidas nas horas de ponta. Outros respondem com uma pergunta simples: quantas chamadas perdeu de facto no último mês?
A nossa leitura: a segunda posição é a mais útil para começar. Conte primeiro. Em Portugal há outro dado a pesar: 83,6% das pessoas usam mensagens instantâneas e o WhatsApp é a rede com maior penetração (89,9% dos utilizadores de redes sociais, Marktest 2025). Para muitos clientes, escrever é mais cómodo do que ligar.
Exemplo ilustrativo: se o registo mostrar dez chamadas perdidas por semana, quase todas entre as 13h e as 14h, talvez a resposta seja um botão de WhatsApp no site e uma pessoa a responder às mensagens depois do serviço. Se mostrar cinquenta, espalhadas pelo dia, vale a pena estudar um sistema automático.
4. Reserva direta como sistema
Nos blogs espanhóis de hotelaria, a reserva direta aparece como um conjunto: site com motor e pagamento, ficha no Google, uma vantagem para quem reserva direto (pequeno-almoço, saída mais tarde) e contacto por WhatsApp e email para fazer o hóspede voltar.
A meta proposta é realista. Um dos textos sugere passar de 85% de reservas por plataformas e 15% diretas para metade e metade, em 18 a 24 meses. Equilibrar, não cortar.
Os números europeus mostram porquê. Segundo o HOTREC, as reservas diretas caíram de 57,6% das dormidas dos hotéis europeus em 2013 para 50,9% em 2023. Em Portugal, 81,6% do alojamento vende através de plataformas, contra 65,9% na UE. Desenvolvemos o tema em reservas diretas vs plataformas.
Quer ver o que o seu site já faz para trazer reservas e encomendas diretas? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Cuide do que todos leem. Avaliações recentes, horário certo e a mesma informação no Google, nas redes e no site. Serve clientes e assistentes de IA.
- Faça as contas às plataformas. Some as comissões do último trimestre e compare com o que custaria trazer esses clientes por canal próprio.
- Conte as chamadas perdidas antes de comprar tecnologia. Um mês de registo diz mais do que qualquer demonstração.
- Dê um motivo para reservar direto. Uma vantagem pequena e clara, visível no site.
- Desconfie de números redondos. Se um texto não diz de onde vem o número, não o use para decidir.
