Estudo

Como estão os sites dos restaurantes portugueses em 2026

Testámos os sites de restaurantes indicados no OpenStreetMap. Quase todos abrem bem no telemóvel, mas poucos deixam o cliente reservar, escrever ou ler em inglês sem esforço.

Atualizado a 20 de outubro de 2026Com fontes
Empregado de mesa visto de costas a levar peixe grelhado numa sala de restaurante português
Imagem ilustrativa

Abrimos 1 378 sites de restaurantes de Portugal continental e encontrámos outros 263 endereços que já não existem. Dos sites que abrem, 94,8% estão preparados para telemóvel, mas só 5,4% têm um botão de WhatsApp e só 34,4% têm versão em inglês (verificação FINEWEB, outubro de 2026).

Como fizemos

Partimos do OpenStreetMap, o mapa colaborativo onde muitos negócios estão registados. No continente encontrámos 16 958 restaurantes, 2 135 com um site indicado. Testámos esses endereços e abrimos a página inicial de cada um.

Em cada página procurámos sinais objetivos: ligação segura, adaptação ao telemóvel, línguas, telefone clicável, WhatsApp, formulário, avaliações, Livro de Reclamações e ferramentas de rastreio. Para comparar, fizemos o mesmo com os sites dos hotéis registados no Turismo de Portugal.

Limites: o OpenStreetMap é uma amostra, não um censo, e só olhámos para a página inicial. Um restaurante pode ter o menu, os preços ou o formulário noutra página. Os números medem o que o cliente vê logo à entrada, que é onde decide se continua.

Os resultados

Na página inicialRestaurantesHotéis
Sites que abriram1 3781 329
Endereços que não abrem263162
Ligação segura (https)94,3%91,1%
Preparado para telemóvel94,8%94,4%
Versão em inglês34,4%83,6%
Só numa língua74,8%20,2%
Fala de reservas ou marcações64,6%91,5%
Telefone clicável31,1%56,1%
Formulário de contacto31,6%46,3%
Botão de WhatsApp5,4%10,5%
Chat ou assistente1,2%8,2%
Mostra preços em euros14,1%24,5%
Mostra avaliações66,7%66,7%
Livro de Reclamações47,2%73,7%
Política de privacidade48,9%80,6%
Rastreia sem pedir consentimento16,7%18,4%
Servidor lento (mais de 1,5 s)15,3%21,4%

Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. Percentagens sobre os sites que abriram.

O básico está feito

A parte técnica não é o problema. 94,3% dos sites usam ligação segura e 94,8% estão preparados para telemóvel. A mediana de resposta do servidor foi de 613 milissegundos, mais rápida do que nos hotéis (677), e a página inicial típica é leve, com 58 KB de HTML.

74,7% dos sites têm pré-visualização preparada para quando o link é partilhado no WhatsApp ou no Facebook, com imagem e título. Já os dados estruturados que dizem ao Google que tipo de negócio é, onde fica e quando abre aparecem em só 29,5%, contra 63,4% nos hotéis. É um ajuste técnico pequeno, feito uma vez.

Isto importa porque o telemóvel já pesa quase metade do tráfego. Em Portugal, o computador ainda liderou em 2025 (59,5% contra 39,3%), mas em setembro de 2026 o telemóvel chegou aos 49,5% (StatCounter).

O cliente tem de se esforçar para contactar

É aqui que os restaurantes perdem. Só 31,1% têm o telefone como link, aquele que se toca no ecrã para ligar. Nos outros, o cliente tem de copiar o número à mão.

O WhatsApp aparece em 5,4% das páginas iniciais. O formulário de contacto, em 31,6%. Um chat ou assistente, em 1,2%. Para um negócio que vive de reservas para hoje à noite, são muito poucas portas abertas.

64,6% das páginas falam de reservas ou marcações, mas isto só quer dizer que a palavra aparece. Muitas vezes é apenas um convite para telefonar. Um cliente que vê o site às 23h não consegue fazer nada com isso.

Português só, para quem vem de fora

74,8% dos sites de restaurantes estão numa só língua. A versão em inglês existe em 34,4%, a espanhola em 9,1%, a francesa em 9,5% e a alemã em 6,9%.

Nos hotéis, o inglês está em 83,6% dos sites. O turista que dorme num hotel com site em inglês procura depois onde jantar e encontra menus que não percebe.

E os turistas são muitos. Em 2025, o Reino Unido, a Alemanha, Espanha e os EUA valeram quase metade das dormidas de não residentes em Portugal: 17,3%, 11,8%, 9,4% e 9,1% (INE).

Só 14,1% das páginas iniciais mostram algum preço em euros. Parte dos restaurantes terá o menu noutra página ou em PDF, que a nossa verificação não abriu. Mas quem chega ao site quer saber duas coisas logo: o que se come e quanto custa.

Obrigações esquecidas

Quem tem site é obrigado a mostrar nele, em local visível e destacado, o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico. Só 47,2% das páginas iniciais o fazem. A política de privacidade aparece em 48,9%.

16,7% dos sites carregam Google Analytics ou Meta Pixel sem uma ferramenta de consentimento detetável. A lei portuguesa exige consentimento prévio para guardar ou ler informação no dispositivo, salvo o que é estritamente necessário.

263 endereços que já não existem

Além dos 1 378 sites que abriram, 263 endereços deram domínio inexistente ou página não encontrada. É quase um endereço morto por cada cinco sites vivos. Muitos continuam no mapa, e o cliente que lá carrega encontra um erro. Para quem procura, um site morto é pior do que nenhum.

Vimos ainda que 28,7% dos sites usam WordPress, 3,1% usam Wix e 5,4% têm no rodapé um ano de 2023 ou anterior, sinal de que ninguém lhes toca há algum tempo.

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Falar no WhatsApp

O que fazer

  1. Abra o seu próprio site no telemóvel. Veja se abre, se o telefone é clicável e se o menu se lê sem fazer zoom.
  2. Confirme o endereço em todo o lado. Google, redes sociais, mapas e plataformas devem apontar para um site que funciona. Se o domínio caducou, renove-o ou retire o link.
  3. Abra pelo menos duas portas além do telefone. Um botão de WhatsApp e um formulário curto de reserva servem quem não quer ou não pode ligar. Veja os números de todos os setores em WhatsApp nos sites.
  4. Ponha o menu e os preços em texto, também em inglês. Não precisa de traduzir o site todo, só o que o turista procura.
  5. Cumpra o mínimo legal. Ícone do Livro de Reclamações na página de entrada, política de privacidade e banner de cookies antes de qualquer rastreio.

Os números do setor estão no estudo restaurantes em Portugal, e exemplos de páginas bem feitas em sites para restaurantes.

Perguntas frequentes

Como foi feita esta verificação?

Recolhemos os endereços de site que os restaurantes de Portugal continental têm no OpenStreetMap e abrimos a página inicial de cada um em outubro de 2026. Procurámos sinais simples e objetivos, como um link de WhatsApp, um telefone clicável ou uma versão em inglês. Só analisámos a página inicial.

Quantos sites de restaurantes já não funcionam?

Além dos 1 378 sites que abriram, encontrámos 263 endereços com domínio inexistente ou página não encontrada. Muitos continuam a aparecer no mapa, e quem carrega no link encontra um erro.

O meu restaurante precisa de site em inglês?

Se recebe turistas, sim, pelo menos o menu, o horário e a forma de reservar. Só 34,4% dos sites de restaurantes que vimos têm versão em inglês, contra 83,6% nos hotéis.

É obrigatório ter o Livro de Reclamações no site?

Sim. Quem tem site deve mostrar nele, em local visível e destacado, o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico. Na nossa verificação, só 47,2% dos sites de restaurantes tinham esse acesso na página inicial.

O site do meu restaurante está lento?

Na nossa amostra, a mediana de resposta do servidor foi de 613 milissegundos e 15,3% dos sites demoraram mais de 1,5 segundos só a começar a responder. Uma análise individual mostra onde está o seu site.

Fontes

  1. Diário da República, Decreto-Lei n.º 74/2017 (Livro de Reclamações Eletrónico, art. 5.º-B), consultado a 13.10.2026
  2. PGDL, Lei n.º 41/2004 na redação da Lei n.º 46/2012, art. 5.º (cookies e consentimento), consultado a 13.10.2026
  3. ECO, Turismo abrandou em 2025: Portugal visitado por 29,9 milhões de turistas (INE, 09.07.2026), consultado a 13.10.2026
  4. StatCounter, Desktop vs Mobile vs Tablet Market Share Portugal (2025 e setembro de 2026), consultado a 13.10.2026

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