Abrimos 1 378 sites de restaurantes de Portugal continental e encontrámos outros 263 endereços que já não existem. Dos sites que abrem, 94,8% estão preparados para telemóvel, mas só 5,4% têm um botão de WhatsApp e só 34,4% têm versão em inglês (verificação FINEWEB, outubro de 2026).
Como fizemos
Partimos do OpenStreetMap, o mapa colaborativo onde muitos negócios estão registados. No continente encontrámos 16 958 restaurantes, 2 135 com um site indicado. Testámos esses endereços e abrimos a página inicial de cada um.
Em cada página procurámos sinais objetivos: ligação segura, adaptação ao telemóvel, línguas, telefone clicável, WhatsApp, formulário, avaliações, Livro de Reclamações e ferramentas de rastreio. Para comparar, fizemos o mesmo com os sites dos hotéis registados no Turismo de Portugal.
Os resultados
| Na página inicial | Restaurantes | Hotéis |
|---|---|---|
| Sites que abriram | 1 378 | 1 329 |
| Endereços que não abrem | 263 | 162 |
| Ligação segura (https) | 94,3% | 91,1% |
| Preparado para telemóvel | 94,8% | 94,4% |
| Versão em inglês | 34,4% | 83,6% |
| Só numa língua | 74,8% | 20,2% |
| Fala de reservas ou marcações | 64,6% | 91,5% |
| Telefone clicável | 31,1% | 56,1% |
| Formulário de contacto | 31,6% | 46,3% |
| Botão de WhatsApp | 5,4% | 10,5% |
| Chat ou assistente | 1,2% | 8,2% |
| Mostra preços em euros | 14,1% | 24,5% |
| Mostra avaliações | 66,7% | 66,7% |
| Livro de Reclamações | 47,2% | 73,7% |
| Política de privacidade | 48,9% | 80,6% |
| Rastreia sem pedir consentimento | 16,7% | 18,4% |
| Servidor lento (mais de 1,5 s) | 15,3% | 21,4% |
Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. Percentagens sobre os sites que abriram.
O básico está feito
A parte técnica não é o problema. 94,3% dos sites usam ligação segura e 94,8% estão preparados para telemóvel. A mediana de resposta do servidor foi de 613 milissegundos, mais rápida do que nos hotéis (677), e a página inicial típica é leve, com 58 KB de HTML.
74,7% dos sites têm pré-visualização preparada para quando o link é partilhado no WhatsApp ou no Facebook, com imagem e título. Já os dados estruturados que dizem ao Google que tipo de negócio é, onde fica e quando abre aparecem em só 29,5%, contra 63,4% nos hotéis. É um ajuste técnico pequeno, feito uma vez.
Isto importa porque o telemóvel já pesa quase metade do tráfego. Em Portugal, o computador ainda liderou em 2025 (59,5% contra 39,3%), mas em setembro de 2026 o telemóvel chegou aos 49,5% (StatCounter).
O cliente tem de se esforçar para contactar
É aqui que os restaurantes perdem. Só 31,1% têm o telefone como link, aquele que se toca no ecrã para ligar. Nos outros, o cliente tem de copiar o número à mão.
O WhatsApp aparece em 5,4% das páginas iniciais. O formulário de contacto, em 31,6%. Um chat ou assistente, em 1,2%. Para um negócio que vive de reservas para hoje à noite, são muito poucas portas abertas.
64,6% das páginas falam de reservas ou marcações, mas isto só quer dizer que a palavra aparece. Muitas vezes é apenas um convite para telefonar. Um cliente que vê o site às 23h não consegue fazer nada com isso.
Português só, para quem vem de fora
74,8% dos sites de restaurantes estão numa só língua. A versão em inglês existe em 34,4%, a espanhola em 9,1%, a francesa em 9,5% e a alemã em 6,9%.
Nos hotéis, o inglês está em 83,6% dos sites. O turista que dorme num hotel com site em inglês procura depois onde jantar e encontra menus que não percebe.
E os turistas são muitos. Em 2025, o Reino Unido, a Alemanha, Espanha e os EUA valeram quase metade das dormidas de não residentes em Portugal: 17,3%, 11,8%, 9,4% e 9,1% (INE).
Preços e menu
Só 14,1% das páginas iniciais mostram algum preço em euros. Parte dos restaurantes terá o menu noutra página ou em PDF, que a nossa verificação não abriu. Mas quem chega ao site quer saber duas coisas logo: o que se come e quanto custa.
Obrigações esquecidas
Quem tem site é obrigado a mostrar nele, em local visível e destacado, o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico. Só 47,2% das páginas iniciais o fazem. A política de privacidade aparece em 48,9%.
16,7% dos sites carregam Google Analytics ou Meta Pixel sem uma ferramenta de consentimento detetável. A lei portuguesa exige consentimento prévio para guardar ou ler informação no dispositivo, salvo o que é estritamente necessário.
263 endereços que já não existem
Além dos 1 378 sites que abriram, 263 endereços deram domínio inexistente ou página não encontrada. É quase um endereço morto por cada cinco sites vivos. Muitos continuam no mapa, e o cliente que lá carrega encontra um erro. Para quem procura, um site morto é pior do que nenhum.
Vimos ainda que 28,7% dos sites usam WordPress, 3,1% usam Wix e 5,4% têm no rodapé um ano de 2023 ou anterior, sinal de que ninguém lhes toca há algum tempo.
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Falar no WhatsAppO que fazer
- Abra o seu próprio site no telemóvel. Veja se abre, se o telefone é clicável e se o menu se lê sem fazer zoom.
- Confirme o endereço em todo o lado. Google, redes sociais, mapas e plataformas devem apontar para um site que funciona. Se o domínio caducou, renove-o ou retire o link.
- Abra pelo menos duas portas além do telefone. Um botão de WhatsApp e um formulário curto de reserva servem quem não quer ou não pode ligar. Veja os números de todos os setores em WhatsApp nos sites.
- Ponha o menu e os preços em texto, também em inglês. Não precisa de traduzir o site todo, só o que o turista procura.
- Cumpra o mínimo legal. Ícone do Livro de Reclamações na página de entrada, política de privacidade e banner de cookies antes de qualquer rastreio.
Os números do setor estão no estudo restaurantes em Portugal, e exemplos de páginas bem feitas em sites para restaurantes.
