Estudo

A sazonalidade do turismo foi a mais baixa desde 2013

Em 2025, o indicador de sazonalidade do INE ficou em 36,4%, o valor mais baixo desde 2013. Há mais procura fora do pico, e boa parte vem de quem vive cá.

Atualizado a 22 de outubro de 2026Com fontes
Casa de turismo rural no campo
Imagem ilustrativa

Em 2025, o indicador de sazonalidade do turismo português ficou em 36,4%, o mais baixo desde 2013, segundo o INE. Em linguagem simples: as dormidas concentraram-se menos nos meses de pico do que em qualquer ano da última década. Para um negócio pequeno, isto é uma oportunidade, mas só para quem está preparado para vender fora do verão.

Os números que contam

O ano de 2025 trouxe dois sinais na mesma direção. A procura espalhou-se mais pelo calendário, e quem mais cresceu foi o turista que vive em Portugal.

Indicador, 2025ValorVariação
Sazonalidade (INE)36,4%mais baixa desde 2013
Dormidas de residentes no alojamento turístico25,1 milhões+5,4%
Dormidas de não residentes no alojamento turístico57,0 milhões+0,8%
Viagens turísticas de residentes26,0 milhões+13,7%, máximo histórico
Dessas viagens, dentro de Portugal85,2%

Os números de viagens são provisórios. Os de dormidas vêm do destaque do INE sobre o 4.º trimestre de 2025 e cobrem hotelaria, alojamento local com 10 ou mais camas e turismo no espaço rural e de habitação.

O cliente da época baixa vive cá

As dormidas de estrangeiros quase não cresceram em 2025 (+0,8%). As de residentes subiram 5,4%. E os residentes fizeram 26,0 milhões de viagens turísticas, um recorde, quase todas dentro do país.

Isto muda a forma de pensar a época baixa. A nossa leitura: o cliente residente não precisa de férias grandes para vir. Faz escapadinhas de fim de semana, pontes e aniversários, e procura em português. Precisa de uma razão para vir naquela data e de um preço claro.

Segundo o INE, nas viagens de residentes os hotéis e similares ficaram com 25,3% das dormidas e o alojamento particular pago com 12,2%. Os restantes 62,5% das dormidas (contas nossas) ficaram noutros tipos de alojamento. Há aqui margem: a maior parte das noites destas viagens não passou por hotéis nem por alojamento particular pago.

Atenção às comparações: o INE publica vários âmbitos. Os 25,1 e 57,0 milhões de dormidas referem-se ao alojamento turístico do destaque trimestral. As Estatísticas do Turismo, publicadas em julho, incluem também campismo e outros meios e dão totais mais altos. Não misture os dois na mesma conta.

Quanto vale um quarto fora do pico

O INE publica o rendimento por quarto por trimestre. No 4.º trimestre de 2025, o RevPAR (rendimento médio por quarto disponível) foi de 55,3 euros e o ADR (preço médio por quarto ocupado) de 109,0 euros. A Grande Lisboa (92,9 euros) e a Madeira (85,5 euros) tiveram o RevPAR mais alto.

Fora destas regiões, a diferença entre um quarto ocupado e um quarto vazio pesa mais. Cada noite vendida em novembro ou fevereiro ajuda a pagar custos que existem de qualquer forma: pessoal, energia, seguros, prestações.

O turismo rural tem aqui uma vantagem

O turismo no espaço rural e de habitação somou 3,3 milhões de dormidas em 2025. É o segmento mais pequeno dos três, mas tem produtos que não dependem do verão: lareira, caminhadas, vindimas, apanha da azeitona, gastronomia. Nada disto precisa de praia.

O problema está no site. Na verificação FINEWEB de outubro de 2026, só 16,3% dos sites de turismo rural mostravam preços ou valores «desde» na página inicial, contra 24,5% nos hotéis. Quem procura uma escapadinha de última hora quer saber logo quanto custa. Os números completos estão no estudo do turismo rural.

O contacto rápido também falha. Só 30,1% dos sites de turismo rural tinham um telefone que se liga com um toque e 7,8% um botão de WhatsApp. Numa reserva decidida na quinta-feira para o fim de semana, cada passo a mais é um cliente a menos.

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Como vender fora da época alta

Não há fórmula única, mas há um padrão: quem vende bem na época baixa dá ao cliente uma razão concreta para vir naquela data e torna fácil reservar.

Exemplo ilustrativo: uma casa com 6 quartos que vende mais duas noites de quarto em 15 fins de semana da época baixa, a 100 euros por noite, junta 3 000 euros. Não muda o ano sozinho, mas paga várias contas fixas.

O que fazer

  1. Olhe para os seus meses fracos. Veja a ocupação de novembro a março no último ano e escolha dois ou três fins de semana para trabalhar.
  2. Crie uma proposta por época. Com nome, datas, o que inclui e preço. Ponha-a no site numa página própria.
  3. Fale em português. O cliente da época baixa é sobretudo residente. Garanta que a versão portuguesa do site está completa.
  4. Atualize o Perfil da Empresa no Google. Horários, fotos de inverno e uma publicação com a proposta. Veja o guia do Perfil da Empresa no Google.
  5. Contacte quem já ficou. Com consentimento, uma mensagem curta com a proposta e a ligação para reservar direto.

Para o retrato completo do ano, leia o turismo em Portugal em 2025 em números.

Perguntas frequentes

O que quer dizer a sazonalidade de 36,4%?

É o indicador de sazonalidade que o INE calcula para o turismo. Quanto mais baixo, menos as dormidas se concentram nos meses de pico. Em 2025 ficou em 36,4%, o valor mais baixo desde 2013, segundo os dados do INE divulgados em julho de 2026.

Quantas viagens fizeram os residentes em Portugal em 2025?

Segundo o INE, os residentes fizeram 26,0 milhões de viagens em 2025, mais 13,7% do que no ano anterior e um máximo histórico. 85,2% dessas viagens foram dentro de Portugal.

Quanto rende um quarto na época baixa?

O INE dá valores por trimestre. No 4.º trimestre de 2025, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) foi de 55,3 euros e o preço médio por quarto ocupado (ADR) de 109,0 euros, com a Grande Lisboa (92,9 euros) e a Madeira (85,5 euros) no topo do RevPAR.

Baixar preços é a melhor forma de vender na época baixa?

Nem sempre. Muitas vezes resulta melhor criar uma razão para vir, como um fim de semana com atividade, uma estadia mais longa ou um extra incluído, e mostrar isso no site com preço visível.

Onde devo anunciar para o público português?

No seu próprio site, no Perfil da Empresa no Google e nas redes sociais. Segundo a Marktest, 63% dos utilizadores de redes sociais em Portugal continental pesquisam alojamento nas redes.

Fontes

  1. ECO, Turismo abrandou em 2025: Portugal visitado por 29,9 milhões de turistas, dados INE (09.07.2026), consultado a 13.10.2026
  2. INE, Atividade Turística, 4.º trimestre de 2025 (destaque de 13.02.2026), consultado a 13.10.2026
  3. DNoticias/Lusa, Viagens turísticas de residentes atingem recorde de 26 milhões em 2025, dados INE (28.04.2026), consultado a 13.10.2026
  4. Marketeer, Marktest Turismo e Redes Sociais 2025: 2 em 3 utilizadores de redes sociais pesquisam restaurantes e bares (26.02.2025), consultado a 13.10.2026

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