Em 2025, o indicador de sazonalidade do turismo português ficou em 36,4%, o mais baixo desde 2013, segundo o INE. Em linguagem simples: as dormidas concentraram-se menos nos meses de pico do que em qualquer ano da última década. Para um negócio pequeno, isto é uma oportunidade, mas só para quem está preparado para vender fora do verão.
Os números que contam
O ano de 2025 trouxe dois sinais na mesma direção. A procura espalhou-se mais pelo calendário, e quem mais cresceu foi o turista que vive em Portugal.
| Indicador, 2025 | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Sazonalidade (INE) | 36,4% | mais baixa desde 2013 |
| Dormidas de residentes no alojamento turístico | 25,1 milhões | +5,4% |
| Dormidas de não residentes no alojamento turístico | 57,0 milhões | +0,8% |
| Viagens turísticas de residentes | 26,0 milhões | +13,7%, máximo histórico |
| Dessas viagens, dentro de Portugal | 85,2% |
Os números de viagens são provisórios. Os de dormidas vêm do destaque do INE sobre o 4.º trimestre de 2025 e cobrem hotelaria, alojamento local com 10 ou mais camas e turismo no espaço rural e de habitação.
O cliente da época baixa vive cá
As dormidas de estrangeiros quase não cresceram em 2025 (+0,8%). As de residentes subiram 5,4%. E os residentes fizeram 26,0 milhões de viagens turísticas, um recorde, quase todas dentro do país.
Isto muda a forma de pensar a época baixa. A nossa leitura: o cliente residente não precisa de férias grandes para vir. Faz escapadinhas de fim de semana, pontes e aniversários, e procura em português. Precisa de uma razão para vir naquela data e de um preço claro.
Segundo o INE, nas viagens de residentes os hotéis e similares ficaram com 25,3% das dormidas e o alojamento particular pago com 12,2%. Os restantes 62,5% das dormidas (contas nossas) ficaram noutros tipos de alojamento. Há aqui margem: a maior parte das noites destas viagens não passou por hotéis nem por alojamento particular pago.
Quanto vale um quarto fora do pico
O INE publica o rendimento por quarto por trimestre. No 4.º trimestre de 2025, o RevPAR (rendimento médio por quarto disponível) foi de 55,3 euros e o ADR (preço médio por quarto ocupado) de 109,0 euros. A Grande Lisboa (92,9 euros) e a Madeira (85,5 euros) tiveram o RevPAR mais alto.
Fora destas regiões, a diferença entre um quarto ocupado e um quarto vazio pesa mais. Cada noite vendida em novembro ou fevereiro ajuda a pagar custos que existem de qualquer forma: pessoal, energia, seguros, prestações.
O turismo rural tem aqui uma vantagem
O turismo no espaço rural e de habitação somou 3,3 milhões de dormidas em 2025. É o segmento mais pequeno dos três, mas tem produtos que não dependem do verão: lareira, caminhadas, vindimas, apanha da azeitona, gastronomia. Nada disto precisa de praia.
O problema está no site. Na verificação FINEWEB de outubro de 2026, só 16,3% dos sites de turismo rural mostravam preços ou valores «desde» na página inicial, contra 24,5% nos hotéis. Quem procura uma escapadinha de última hora quer saber logo quanto custa. Os números completos estão no estudo do turismo rural.
O contacto rápido também falha. Só 30,1% dos sites de turismo rural tinham um telefone que se liga com um toque e 7,8% um botão de WhatsApp. Numa reserva decidida na quinta-feira para o fim de semana, cada passo a mais é um cliente a menos.
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Falar no WhatsAppComo vender fora da época alta
Não há fórmula única, mas há um padrão: quem vende bem na época baixa dá ao cliente uma razão concreta para vir naquela data e torna fácil reservar.
- Propostas com data. Um fim de semana de magusto, uma estadia de três noites com jantar, uma oferta para a semana do Carnaval. Uma proposta com nome vende melhor do que um desconto genérico.
- Preço à vista. Mostre o valor «desde» na página da proposta. Sem preço, o cliente de última hora passa ao seguinte.
- Redes sociais com ligação para reservar. Segundo a Marktest, 63% dos utilizadores de redes sociais em Portugal continental pesquisam alojamento nas redes. A publicação deve levar ao site, não ficar por ali.
- Fotos da época certa. Se vende o inverno, mostre o inverno: a lareira acesa, a mesa posta, o campo verde. Fotos só de piscina dizem ao cliente que a casa é para o verão.
- Antigos hóspedes primeiro. Quem já gostou é o cliente mais fácil de trazer de volta. Uma mensagem em outubro pode encher um fim de semana de novembro.
Exemplo ilustrativo: uma casa com 6 quartos que vende mais duas noites de quarto em 15 fins de semana da época baixa, a 100 euros por noite, junta 3 000 euros. Não muda o ano sozinho, mas paga várias contas fixas.
O que fazer
- Olhe para os seus meses fracos. Veja a ocupação de novembro a março no último ano e escolha dois ou três fins de semana para trabalhar.
- Crie uma proposta por época. Com nome, datas, o que inclui e preço. Ponha-a no site numa página própria.
- Fale em português. O cliente da época baixa é sobretudo residente. Garanta que a versão portuguesa do site está completa.
- Atualize o Perfil da Empresa no Google. Horários, fotos de inverno e uma publicação com a proposta. Veja o guia do Perfil da Empresa no Google.
- Contacte quem já ficou. Com consentimento, uma mensagem curta com a proposta e a ligação para reservar direto.
Para o retrato completo do ano, leia o turismo em Portugal em 2025 em números.
