Em 2025, 59,5% do tráfego web medido pela StatCounter em Portugal veio do computador e 39,3% do telemóvel. Em setembro de 2026 o telemóvel chegou aos 49,5%, uma décima à frente do computador (49,4%). Portugal está a meio da passagem, e isso pede um site que funcione bem nos dois ecrãs.
Os números da StatCounter
A StatCounter publica todos os meses a divisão do tráfego web por tipo de dispositivo em cada país. Para Portugal, a média de 2025 e o mês mais recente contam histórias diferentes.
| Período | Computador | Telemóvel | Tablet |
|---|---|---|---|
| Média de 2025 | 59,5% | 39,3% | 1,2% |
| Setembro de 2026 | 49,4% | 49,5% | não indicado |
Fonte: StatCounter, Portugal, 2025 e setembro de 2026.
A frase «a maioria do tráfego já é móvel» ainda não é verdade para Portugal na média anual. Também já não faz sentido pensar o site a partir do computador. Os dois pesos estão praticamente iguais e a tendência mais recente favorece o telemóvel.
Atenção a um pormenor: estes números medem tráfego, não pessoas nem compras. Uma mesma pessoa pode descobrir um restaurante no telemóvel à hora de almoço e reservar um hotel no computador do trabalho. O site tem de servir as duas situações.
A pesquisa no telemóvel é quase toda Google
Na pesquisa, o retrato é outro. Em 2025, 92,2% das pesquisas feitas em Portugal foram no Google, com o Bing nos 5,8%. Só no telemóvel, o Google teve 98,1%. Em setembro de 2026 a quota geral desceu para 87,3%, com o Bing a ganhar terreno.
Para um café, um bar ou um restaurante, isto quer dizer que a primeira impressão no telemóvel acontece quase sempre no Google: o perfil no mapa, as fotografias, as avaliações e o botão que leva ao site. Quem toca nesse botão chega ao site já com o telemóvel na mão.
O telemóvel é também onde se conversa
83,6% dos portugueses entre os 16 e os 74 anos usaram mensagens instantâneas nos últimos três meses, segundo o Eurostat (UE: 82,3%). No inquérito da Marktest de julho de 2025, o WhatsApp passou a ser, pela primeira vez, a rede com maior penetração em Portugal: 89,9% dos utilizadores de redes sociais.
No telemóvel, a app já está instalada e um toque basta para começar a conversa. É por isso que um botão de WhatsApp ou um número de telefone clicável fazem mais diferença no ecrã pequeno do que no computador.
Como estão os sites portugueses
Na verificação FINEWEB, outubro de 2026, quase todos os sites já têm o mínimo técnico para telemóvel, a etiqueta viewport que adapta a página ao ecrã. O que falta está nos atalhos que o telemóvel permite.
| Setor | Etiqueta para telemóvel | Telefone clicável | Ligação de WhatsApp |
|---|---|---|---|
| Hotéis (1 329 sites) | 94,4% | 56,1% | 10,5% |
| Turismo rural (1 288) | 89,7% | 30,1% | 7,8% |
| Restaurantes (1 378) | 94,8% | 31,1% | 5,4% |
| Cafés (170) | 92,4% | 27,1% | 5,9% |
| Bares (77) | 92,2% | 32,5% | 9,1% |
Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026, página inicial de cada site. Cafés e bares são amostras pequenas.
Nos restaurantes, menos de um terço das páginas iniciais tem o número de telefone como ligação. O cliente vê o número, mas tem de o copiar à mão. Os detalhes por setor estão nos estudos dos sites dos restaurantes e dos sites dos hotéis.
O que muda no desenho do site
Um site que serve os dois ecrãs não é um site do computador encolhido. No telemóvel, a ordem do conteúdo pesa mais do que o desenho. Quem chega do Google quer, por esta ordem, saber se está aberto, onde fica e como reservar ou ligar.
- No topo do telemóvel: nome, horário de hoje, botão de reserva ou de chamada. A fotografia grande pode vir a seguir.
- Botões grandes e afastados: o dedo é menos preciso do que o rato. Dois botões colados geram toques errados.
- Menus curtos: cinco ou seis entradas chegam. Um menu com submenus em cascata é difícil de usar com o polegar.
- No computador: aproveite o espaço para fotografias maiores, tabela de preços completa e mapa ao lado da morada.
Há ainda um dado que pede contacto fácil. Em 2025, 49,6% dos portugueses fizeram alguma compra online nos últimos três meses, contra 62,4% na média da UE (Eurostat). Para quem não compra online, ligar ou escrever é o caminho que resta, e no telemóvel isso deve custar um só toque.
E a velocidade no telemóvel
O telemóvel é também onde os sites mais falham na velocidade. Segundo o Web Almanac 2025, só 48% dos sites passam nos três Core Web Vitals da Google no telemóvel, contra 56% no computador. Explicamos os limiares e os nossos tempos de resposta em velocidade do site e vendas.
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Falar no WhatsAppO que fazer
- Abra o seu site no telemóvel, com uma mão. Tente ligar, reservar e encontrar a morada. Anote tudo o que obriga a fazer zoom ou a voltar atrás.
- Torne o telefone clicável. O número deve abrir a chamada com um toque, no topo e no rodapé.
- Acrescente um atalho para mensagens. Um botão de WhatsApp com uma mensagem inicial já escrita poupa trabalho a quem está do outro lado.
- Não esqueça o computador. Em setembro de 2026, metade do tráfego ainda vinha do computador. Confirme que o motor de reservas funciona bem nos dois.
- Veja os seus próprios números. Nas estatísticas do site, compare telemóvel e computador por número de visitas e por reservas. A média do país é só o ponto de partida.
