Estudo

Velocidade do site e vendas: cada décima de segundo conta

Um estudo da Deloitte para a Google mediu o efeito de sites móveis mais rápidos nas conversões. Juntámos os limiares que a Google usa hoje e os tempos de resposta dos sites portugueses que verificámos.

Atualizado a 18 de outubro de 2026Com fontes
Imagem ilustrativa

Uma melhoria de 0,1 segundos na velocidade do site móvel fez subir as conversões 10,1% em sites de viagens e 8,4% no retalho. O estudo é da Deloitte Ireland para a Google e acompanhou 37 marcas da Europa e dos EUA durante quatro semanas, no fim de 2019. Tem alguns anos, mas mediu o que os visitantes fizeram, não o que disseram.

O estudo da Deloitte em números

A pergunta era simples: se um site móvel ficar uma décima de segundo mais rápido, o que acontece às vendas? A resposta variou por setor, mas foi sempre positiva.

SetorConversõesValor médio da encomenda
Retalho+8,4%+9,2%
Viagens+10,1%+1,9%

Fonte: Deloitte Ireland para a Google, «Milliseconds Make Millions», 2020. Efeito de uma melhoria de 0,1 s na velocidade do site móvel.

Nas viagens, o ganho apareceu sobretudo no número de pessoas que concluíram a compra; o valor de cada compra quase não mexeu. No retalho subiram as duas coisas.

Leitura honesta: são 37 marcas, não pequenos negócios portugueses, e os dados têm vários anos. Servem como direção. Um site mais rápido perde menos clientes pelo caminho, mesmo quando a diferença parece pequena.

O que isto pode significar num negócio pequeno

Exemplo ilustrativo: um alojamento recebe 1 000 visitas por mês no site e fecha 20 reservas diretas. Se um ganho de velocidade tivesse o mesmo efeito medido nas viagens, +10,1% nas conversões, passaria a fechar cerca de 22. Duas reservas a mais por mês, sem pagar comissão a ninguém.

Não há garantia de que o efeito se repita assim num site pequeno, nem de que cresça em linha reta a cada décima ganha. Mas o sentido é o mesmo em todos os setores do estudo. E, ao contrário de um anúncio, uma melhoria de velocidade serve todas as visitas, venham do Google, das redes sociais ou de uma recomendação.

Os três números que a Google mede

A Google resume a experiência de carregamento em três indicadores, os Core Web Vitals. Os limiares para «bom» são estes:

Os valores são medidos no percentil 75. Na prática, pelo menos três em cada quatro visitas têm de ficar dentro do limite para o site contar como bom.

Poucos sites conseguem. Segundo o Web Almanac 2025 do HTTP Archive, com dados reais de julho de 2025, só 48% dos sites passam nos três indicadores no telemóvel, contra 56% no computador.

Indicador no telemóvelSites com resultado «bom»
LCP (carregamento)62%
INP (resposta ao toque)77%
CLS (estabilidade)81%
Os três ao mesmo tempo48%

Fonte: HTTP Archive, Web Almanac 2025, dados globais.

O ponto fraco é o carregamento. Quase quatro em cada dez sites não mostram o conteúdo principal no telemóvel em 2,5 segundos.

Os sites portugueses que medimos

Na verificação FINEWEB, outubro de 2026, medimos quanto tempo cada página inicial demorou a começar a responder ao nosso pedido. É o primeiro passo de qualquer carregamento: enquanto o servidor não responde, o ecrã fica em branco.

SetorSites analisadosMediana do tempo de respostaMais de 1,5 sMediana do HTML
Hotéis1 329677 ms21,4%146 KB
Turismo rural1 288850 ms33,5%90 KB
Restaurantes1 378613 ms15,3%58 KB
Cafés170645 ms15,9%124 KB
Bares77801 ms22,1%104 KB

Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. Cafés e bares são amostras pequenas.

O caso mais preocupante é o turismo rural: um em cada três sites demorou mais de 1,5 segundos só a dar sinal de vida. Com o limite de 2,5 segundos para o LCP, sobra muito pouco tempo para carregar fotografias, letras e o motor de reservas. Nos hotéis, a proporção é de um em cada cinco. Os números completos estão nos estudos dos sites dos hotéis e do turismo rural.

Como medimos. Pedimos a página inicial de cada site uma vez, a partir de um só ponto, e registámos o tempo até à primeira resposta, incluindo redirecionamentos. Não é o LCP nem substitui os dados reais da Google. Serve para comparar setores e encontrar servidores claramente lentos. Não medimos a causa da lentidão.

Onde costuma estar a lentidão

Num site pequeno, a lentidão raramente vem de uma única coisa. Estes são os pontos a rever primeiro:

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O que fazer

  1. Meça no telemóvel. Use o PageSpeed Insights da Google e olhe para o resultado móvel. Anote LCP, INP e CLS. Se aparecerem dados de visitantes reais, são esses que contam; o teste de laboratório serve para encontrar as causas.
  2. Reduza as fotografias. Guarde-as em formato WebP, no tamanho em que aparecem no ecrã. A fotografia principal é quase sempre o elemento do LCP.
  3. Corte scripts que não usa. Se ninguém olha para os relatórios de um pixel ou de um widget, retire-o.
  4. Reveja o alojamento. Se a primeira resposta passa de um segundo, mude de plano ou de fornecedor, ou ative cache no servidor.
  5. Volte a medir todos os meses. Um plugin novo ou um vídeo na página inicial podem desfazer o trabalho num dia.

Perguntas frequentes

Um site mais rápido vende mesmo mais?

No estudo da Deloitte Ireland para a Google, com 37 marcas da Europa e dos EUA, uma melhoria de 0,1 segundos na velocidade do site móvel aumentou as conversões 8,4% no retalho e 10,1% em viagens. Os dados são do fim de 2019, mas a direção é clara.

Que valores a Google considera bons?

Nos Core Web Vitals, a Google considera bom um LCP até 2,5 segundos, um INP até 200 milissegundos e um CLS até 0,1, medidos no percentil 75 das visitas. O INP substituiu o FID em 2024.

Quantos sites passam nos Core Web Vitals?

Segundo o Web Almanac 2025 do HTTP Archive, só 48% dos sites passam nos três indicadores no telemóvel e 56% no computador. O LCP é o que mais falha no telemóvel.

Os sites dos hotéis portugueses são lentos?

Na verificação FINEWEB de outubro de 2026, a mediana do tempo de resposta da página inicial foi de 677 ms nos hotéis e 850 ms no turismo rural. 21,4% dos sites de hotéis e 33,5% dos de turismo rural demoraram mais de 1,5 segundos só a responder.

Como posso medir a velocidade do meu site?

Abra o PageSpeed Insights da Google, cole o endereço e veja primeiro o resultado para telemóvel. Se houver dados reais de visitantes, conte com esses; se não, use o teste de laboratório como orientação.

Fontes

  1. Deloitte Ireland para a Google, Milliseconds Make Millions (2020), consultado a 13.10.2026
  2. web.dev, Milliseconds make millions, estudo de caso (2020), consultado a 13.10.2026
  3. Google, web.dev, Web Vitals (em vigor), consultado a 13.10.2026
  4. HTTP Archive, Web Almanac 2025, capítulo Performance (2025), consultado a 13.10.2026

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