Uma melhoria de 0,1 segundos na velocidade do site móvel fez subir as conversões 10,1% em sites de viagens e 8,4% no retalho. O estudo é da Deloitte Ireland para a Google e acompanhou 37 marcas da Europa e dos EUA durante quatro semanas, no fim de 2019. Tem alguns anos, mas mediu o que os visitantes fizeram, não o que disseram.
O estudo da Deloitte em números
A pergunta era simples: se um site móvel ficar uma décima de segundo mais rápido, o que acontece às vendas? A resposta variou por setor, mas foi sempre positiva.
| Setor | Conversões | Valor médio da encomenda |
|---|---|---|
| Retalho | +8,4% | +9,2% |
| Viagens | +10,1% | +1,9% |
Fonte: Deloitte Ireland para a Google, «Milliseconds Make Millions», 2020. Efeito de uma melhoria de 0,1 s na velocidade do site móvel.
Nas viagens, o ganho apareceu sobretudo no número de pessoas que concluíram a compra; o valor de cada compra quase não mexeu. No retalho subiram as duas coisas.
Leitura honesta: são 37 marcas, não pequenos negócios portugueses, e os dados têm vários anos. Servem como direção. Um site mais rápido perde menos clientes pelo caminho, mesmo quando a diferença parece pequena.
O que isto pode significar num negócio pequeno
Exemplo ilustrativo: um alojamento recebe 1 000 visitas por mês no site e fecha 20 reservas diretas. Se um ganho de velocidade tivesse o mesmo efeito medido nas viagens, +10,1% nas conversões, passaria a fechar cerca de 22. Duas reservas a mais por mês, sem pagar comissão a ninguém.
Não há garantia de que o efeito se repita assim num site pequeno, nem de que cresça em linha reta a cada décima ganha. Mas o sentido é o mesmo em todos os setores do estudo. E, ao contrário de um anúncio, uma melhoria de velocidade serve todas as visitas, venham do Google, das redes sociais ou de uma recomendação.
Os três números que a Google mede
A Google resume a experiência de carregamento em três indicadores, os Core Web Vitals. Os limiares para «bom» são estes:
- LCP até 2,5 segundos. O tempo até aparecer o maior elemento visível do ecrã, muitas vezes a fotografia principal ou o título.
- INP até 200 milissegundos. Quanto a página demora a reagir quando alguém toca num botão ou abre um menu. Substituiu o antigo FID em 2024.
- CLS até 0,1. Quanto a página salta enquanto carrega, aquele botão que foge do dedo no último instante.
Os valores são medidos no percentil 75. Na prática, pelo menos três em cada quatro visitas têm de ficar dentro do limite para o site contar como bom.
Poucos sites conseguem. Segundo o Web Almanac 2025 do HTTP Archive, com dados reais de julho de 2025, só 48% dos sites passam nos três indicadores no telemóvel, contra 56% no computador.
| Indicador no telemóvel | Sites com resultado «bom» |
|---|---|
| LCP (carregamento) | 62% |
| INP (resposta ao toque) | 77% |
| CLS (estabilidade) | 81% |
| Os três ao mesmo tempo | 48% |
Fonte: HTTP Archive, Web Almanac 2025, dados globais.
O ponto fraco é o carregamento. Quase quatro em cada dez sites não mostram o conteúdo principal no telemóvel em 2,5 segundos.
Os sites portugueses que medimos
Na verificação FINEWEB, outubro de 2026, medimos quanto tempo cada página inicial demorou a começar a responder ao nosso pedido. É o primeiro passo de qualquer carregamento: enquanto o servidor não responde, o ecrã fica em branco.
| Setor | Sites analisados | Mediana do tempo de resposta | Mais de 1,5 s | Mediana do HTML |
|---|---|---|---|---|
| Hotéis | 1 329 | 677 ms | 21,4% | 146 KB |
| Turismo rural | 1 288 | 850 ms | 33,5% | 90 KB |
| Restaurantes | 1 378 | 613 ms | 15,3% | 58 KB |
| Cafés | 170 | 645 ms | 15,9% | 124 KB |
| Bares | 77 | 801 ms | 22,1% | 104 KB |
Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. Cafés e bares são amostras pequenas.
O caso mais preocupante é o turismo rural: um em cada três sites demorou mais de 1,5 segundos só a dar sinal de vida. Com o limite de 2,5 segundos para o LCP, sobra muito pouco tempo para carregar fotografias, letras e o motor de reservas. Nos hotéis, a proporção é de um em cada cinco. Os números completos estão nos estudos dos sites dos hotéis e do turismo rural.
Onde costuma estar a lentidão
Num site pequeno, a lentidão raramente vem de uma única coisa. Estes são os pontos a rever primeiro:
- Alojamento do site. Se o servidor demora mais de um segundo a responder, nenhuma otimização da página compensa por completo.
- Fotografias. Imagens tiradas com a câmara e carregadas sem redução podem pesar mais do que todo o resto da página.
- Scripts de terceiros. Chat, mapas, widgets de avaliações, pixéis de publicidade: cada um acrescenta pedidos e atrasos.
- Temas e construtores pesados. Um tema com dezenas de funções que o negócio não usa carrega-as na mesma.
Quer saber quanto tempo o seu site demora a abrir no telemóvel e porquê? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Meça no telemóvel. Use o PageSpeed Insights da Google e olhe para o resultado móvel. Anote LCP, INP e CLS. Se aparecerem dados de visitantes reais, são esses que contam; o teste de laboratório serve para encontrar as causas.
- Reduza as fotografias. Guarde-as em formato WebP, no tamanho em que aparecem no ecrã. A fotografia principal é quase sempre o elemento do LCP.
- Corte scripts que não usa. Se ninguém olha para os relatórios de um pixel ou de um widget, retire-o.
- Reveja o alojamento. Se a primeira resposta passa de um segundo, mude de plano ou de fornecedor, ou ative cache no servidor.
- Volte a medir todos os meses. Um plugin novo ou um vídeo na página inicial podem desfazer o trabalho num dia.
