O WordPress está por trás de 37,3% dos sites de hotéis, 42,0% dos de turismo rural e 28,7% dos de restaurantes que verificámos em outubro de 2026. Entre 0,8% e 2,6% dos sites, conforme o setor, ainda declaram publicamente uma versão 5.x. Como muitos sites não mostram a versão, esse número é um mínimo. E há outros sinais de abandono, mais fáceis de ver.
Que plataformas usam os sites
Quase todo o alojamento tem site: segundo o Eurostat, 94,4% das empresas portuguesas de alojamento com 10 ou mais pessoas tinham website em 2025 (UE: 95,7%). A questão já não é ter site, é mantê-lo.
Na verificação FINEWEB, outubro de 2026, identificámos a plataforma pelo código da página inicial. O WordPress domina em todos os setores. O Wix, uma plataforma alojada em que as atualizações do sistema ficam a cargo do fornecedor, aparece mais nos cafés (9,4%) e no turismo rural (6,8%).
| Setor | Sites analisados | WordPress | WordPress 5.x declarado | Wix |
|---|---|---|---|---|
| Hotéis | 1 329 | 37,3% | 0,8% | 0,9% |
| Turismo rural | 1 288 | 42,0% | 1,9% | 6,8% |
| Restaurantes | 1 378 | 28,7% | 1,5% | 3,1% |
| Cafés | 170 | 31,8% | 1,8% | 9,4% |
| Bares | 77 | 35,1% | 2,6% | 2,6% |
Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. Percentagens sobre todos os sites que abriram. Cafés e bares são amostras pequenas.
O resto dos sites usa outras plataformas, construtores das agências ou código feito à medida. Isso não os torna mais seguros nem menos: qualquer software que não é atualizado envelhece.
Porque uma versão antiga é um risco
Um site WordPress tem três camadas: o núcleo, o tema e os plugins. Cada uma recebe correções ao longo do tempo. Quando um site fica anos sem atualizações, as falhas corrigidas nas versões novas continuam abertas na versão antiga, e são públicas.
Para um pequeno negócio, as consequências possíveis nem sempre se notam à primeira vista. O site começa a redirecionar visitantes para páginas estranhas, aparecem ligações escondidas para outros sites, o formulário passa a enviar spam, o alojamento suspende a conta. Às vezes o dono só dá por isso quando um cliente avisa.
Num site de alojamento ou de restauração, o que está em jogo vai além da imagem. Há formulários de contacto, pedidos de reserva e, por vezes, dados pessoais de hóspedes. Um site comprometido pode expor esses dados, e o responsável perante o cliente continua a ser o negócio.
Há ainda o lado prático. Plugins antigos deixam de funcionar com versões novas, e o site fica preso: não se atualiza porque parte, e parte porque não se atualiza.
Cinco perguntas para saber em que ponto está
Não precisa de saber programar para perceber se o seu site está entregue a si próprio. Responda a estas perguntas:
- Sabe quem atualizou o site pela última vez, e quando?
- Tem o utilizador e a palavra-passe de administração, ou só o fornecedor os tem?
- Existe uma cópia de segurança recente, guardada fora do alojamento?
- O navegador mostra o cadeado do HTTPS em todas as páginas?
- O ano no rodapé corresponde ao ano em que estamos?
Duas ou mais respostas «não» ou «não sei» querem dizer que o site precisa de atenção, seja ele WordPress, Wix ou outra coisa. O risco não está na plataforma escolhida, está na falta de alguém responsável.
Uma nota sobre plataformas alojadas: no Wix e em serviços semelhantes, o fornecedor trata das atualizações do sistema. Isso reduz um tipo de risco, mas não dispensa rever o conteúdo, as ligações e as obrigações legais.
Outros sinais de abandono
A versão do WordPress é só um sinal. A nossa verificação encontrou outros, mais fáceis de medir.
| Setor | Sem HTTPS | Ano no rodapé até 2023 | Endereços que já não abrem |
|---|---|---|---|
| Hotéis | 8,9% | 7,7% | 162 |
| Turismo rural | 16,5% | 12,1% | 367 |
| Restaurantes | 5,7% | 5,4% | 263 |
| Cafés | 7,6% | 9,4% | 40 |
| Bares | 16,9% | 10,4% | 31 |
Fonte: verificação FINEWEB, outubro de 2026. «Sem HTTPS» calculado a partir da parte dos sites com HTTPS. «Endereços que já não abrem» são domínios inexistentes ou páginas com erro 404, em número absoluto.
O turismo rural destaca-se: um em cada seis sites ainda não usa HTTPS e mais de um em cada dez tem um ano de 2023 ou anterior no rodapé. Não provam que o software está por atualizar, mas apontam para a mesma causa provável: ninguém tem o site a seu cargo. Os números completos estão nos estudos dos sites dos hotéis e do turismo rural.
No caso extremo, o site desaparece. Dos 3 289 endereços de alojamento indicados no registo do Turismo de Portugal que testámos, 436 têm um domínio que já não existe. Contamos essa história em sites mortos no registo de turismo.
Quer saber em que plataforma está o seu site e se mostra sinais de abandono? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Garanta o acesso. O utilizador de administração, o domínio e o alojamento devem estar em seu nome. Se só o fornecedor os tem, peça-os.
- Faça uma cópia de segurança antes de mexer. Site e base de dados, guardados fora do alojamento.
- Atualize núcleo, tema e plugins. E apague os plugins que não usa. Menos plugins, menos portas abertas.
- Defina quem mantém e com que frequência. Para um site pequeno, uma revisão por mês é um bom ponto de partida. Veja o que custa um plano de manutenção em preços.
- Corrija os sinais visíveis. HTTPS ativo, ano do rodapé automático e ligações a funcionar. Se o site está tão antigo que não aceita atualizações, refazer pode sair mais barato do que remendar.
