Testámos todos os endereços de site indicados pelos alojamentos no RNET, o registo nacional de empreendimentos turísticos. Eram 3 289 endereços únicos. Em 436, cerca de 13%, o domínio já não existe. Quem procura o alojamento por esse endereço encontra um erro e vai procurar outro sítio para dormir.
O que encontrámos
Na verificação FINEWEB de outubro de 2026, pedimos a página inicial de cada endereço uma vez, como faria um navegador. O resultado foi este:
| Endereços de alojamento no RNET | Número | Peso |
|---|---|---|
| Endereços únicos testados | 3 289 | 100% |
| Abriram | 2 479 | 75,4% |
| Domínio inexistente | 436 | 13,3% |
| Outros erros (página de erro, tempo esgotado, resposta que não é uma página) | 374 | 11,4% |
A última linha é a diferença entre as outras, calculada por nós. Um em cada quatro endereços indicados no registo não mostrava um site a funcionar no dia do teste.
Por tipo de negócio
Para comparar setores de tamanhos diferentes, mostramos quantos endereços mortos (domínio inexistente ou erro 404) encontrámos por cada 100 sites que abriram. Os restaurantes, cafés e bares vêm dos sites indicados no OpenStreetMap, não do RNET, mas o problema é o mesmo.
| Tipo | Sites que abriram | Endereços mortos | Mortos por 100 que abriram |
|---|---|---|---|
| Hotéis (RNET) | 1 329 | 162 | 12 |
| Turismo rural (RNET) | 1 288 | 367 | 28 |
| Restaurantes (OpenStreetMap) | 1 378 | 263 | 19 |
| Cafés (OpenStreetMap) | 170 | 40 | 24 |
| Bares (OpenStreetMap) | 77 | 31 | 40 |
O turismo rural destaca-se pela negativa: 28 endereços mortos por cada 100 sites a funcionar, mais do dobro dos hotéis. Os bares têm o valor mais alto, mas a amostra é pequena. Os detalhes estão nos estudos de turismo rural e de hotéis.
Porque é que isto acontece
Os dados não dizem a causa de cada caso. Exemplos ilustrativos de como isto costuma acontecer: o domínio foi registado por um familiar ou por uma agência que deixou de trabalhar com o alojamento, e ninguém recebeu o aviso de renovação. O negócio mudou de site e não atualizou o registo. O alojamento fechou ou mudou de dono, e o registo ficou como estava.
Em todos estes casos, o endereço antigo continua a circular. Está no registo público, em listas antigas, em guias, em cartões de visita, em publicações nas redes de há cinco anos.
E o registo não fica guardado numa gaveta. Os dados do RNET são publicados como dados abertos: qualquer pessoa ou serviço os pode descarregar e reutilizar, como nós fizemos para este estudo. Um endereço errado no registo pode, por isso, acabar repetido noutros sítios que se alimentam desses dados, sem que o alojamento saiba.
O que custa um endereço morto
Confiança. Um hóspede que encontra um erro não pensa «o domínio expirou». Pensa «este sítio fechou» ou «isto não é sério». Segundo o Eurostat, 94,4% das empresas de alojamento portuguesas com 10 ou mais pessoas têm site. Um endereço morto põe o seu negócio na minoria que parece não ter.
Reservas. Num inquérito a consumidores dos EUA, a BrightLocal concluiu que 54% vão ao site do negócio depois de lerem avaliações positivas. Não é um número português, mas mostra o caminho: avaliação, depois site, depois reserva. Se o site não abre, o caminho para a meio.
Tempo. Quem gere o alojamento raramente escreve o próprio endereço no navegador. Pode passar meses sem saber que o site deixou de abrir, enquanto os pedidos simplesmente não chegam. Não há aviso, não há erro do lado do negócio, só silêncio.
Risco. Um domínio que deixa de ser pago pode, passado algum tempo, ser registado por outra pessoa. A partir daí, quem seguir o endereço antigo pode encontrar publicidade, uma página falsa ou outro negócio.
Sites que abrem, mas estão parados
Um site pode abrir e, mesmo assim, dar a ideia de abandono. Na mesma verificação, olhámos para dois sinais simples na página inicial dos sites que abriram: o ano no rodapé e a ligação segura.
- Ano antigo no rodapé (2023 ou anterior): 7,7% dos sites de hotéis, 12,1% dos de turismo rural e 5,4% dos de restaurantes.
- Sem ligação segura (https): 8,9% dos sites de hotéis e 16,5% dos de turismo rural (contas nossas a partir das percentagens com https).
Sem ligação segura, os navegadores avisam o visitante de que o site «não é seguro». É o tipo de aviso que faz um hóspede desistir antes de ver as fotos. Mais uma vez, o turismo rural é o segmento mais exposto: mais endereços mortos e mais sites sem manutenção visível.
Quer confirmar que o seu site abre bem e que os seus dados estão certos? Peça a análise gratuita.
Falar no WhatsAppO que fazer
- Abra o endereço que está no seu registo. No telemóvel e no computador. Se não abrir, ou abrir o site errado, peça a correção ao Turismo de Portugal.
- Veja quem controla o seu domínio. Em nome de quem está, em que conta, até quando está pago. Ponha a renovação automática e um email que alguém leia.
- Se mudou de site, redirecione o antigo. Mantenha o domínio antigo ativo pelo menos uns anos e aponte-o para o novo.
- Atualize o endereço em todo o lado. Perfil da Empresa no Google, redes sociais, plataformas, guias. Veja o guia do Perfil da Empresa no Google.
- Teste de três em três meses. Leva um minuto e evita meses de reservas perdidas sem saber porquê.
Para o retrato completo dos sites que abriram, leia os sites dos hotéis em Portugal em 2026.
