Estudo

Os turistas que chegam a Portugal e as línguas dos nossos sites

Em 2025, o Reino Unido, a Alemanha, a Espanha e os EUA somaram quase metade das dormidas de não residentes. Cruzámos estes mercados com as línguas que encontrámos nos sites de hotéis, turismo rural e restaurantes.

Atualizado a 19 de outubro de 2026Com fontes
Paisagem de uma região turística portuguesa
Imagem ilustrativa

Em 2025, 29,9 milhões de turistas não residentes chegaram a Portugal, segundo o INE. Nas dormidas de não residentes, o Reino Unido ficou com 17,3%, a Alemanha com 11,8%, a Espanha com 9,4% e os EUA com 9,1%. Fomos ver se os sites dos negócios turísticos falam estas línguas. Em muitos casos, não falam.

Quem dorme em Portugal

Os mercados externos representaram 69,4% das dormidas no alojamento turístico em 2025, cerca de 57,0 milhões. Os quatro maiores mercados estrangeiros foram estes:

MercadoQuota nas dormidas de não residentes, 2025Língua principal
Reino Unido17,3%inglês
Alemanha11,8%alemão
Espanha9,4%espanhol
EUA9,1%inglês

Somados, Reino Unido e EUA dão 26,4% das dormidas de não residentes, só em mercados de língua inglesa. A isto soma-se quem não fala português, alemão nem espanhol e usa o inglês para se orientar. Num negócio que recebe turistas, o inglês não é opcional.

Não esquecer o português

O mercado interno também cresceu. Em 2025, as dormidas de residentes chegaram a 25,1 milhões, mais 5,4% do que no ano anterior, enquanto as de não residentes subiram 0,8%. Um site só em inglês, pensado para estrangeiros, deixa de fora o cliente que mais cresceu no ano. A versão portuguesa tem de estar tão completa como as outras, com preços, condições e forma de reservar.

Que línguas encontrámos nos sites

Na verificação FINEWEB de outubro de 2026, lemos a página inicial de 1 329 sites de hotéis e 1 288 sites de turismo rural registados no RNET, e de 1 378 sites de restaurantes indicados no OpenStreetMap. Contámos as versões noutras línguas declaradas no código de cada página.

Versão declaradaHotéisTurismo ruralRestaurantes
Inglês83,6%58,0%34,4%
Espanhol55,2%15,3%9,1%
Francês44,9%15,7%9,5%
Alemão28,2%5,4%6,9%
Uma língua só (ou nenhuma versão declarada)20,2%51,9%74,8%
Como lemos estes números: registámos as versões de língua que o site declara no código (marcas hreflang), que é o que o Google usa para mostrar a versão certa a cada visitante. Um site pode ter tradução sem estas marcas. Por isso, os valores são um mínimo, e a linha «uma língua só» pode incluir sites com tradução mal assinalada.

Onde está o desencontro

Alemão. A Alemanha é o segundo mercado estrangeiro, com 11,8% das dormidas de não residentes. Mas só 28,2% dos sites de hotéis e 5,4% dos sites de turismo rural declaram versão em alemão. É a maior distância entre procura e oferta nos dados. Para um negócio que recebe muitos alemães, uma página em alemão é das melhorias mais baratas que pode fazer.

Turismo rural. Mais de metade dos sites (51,9%) tem uma língua só ou nenhuma versão declarada. Para casas de campo e agroturismo, que recebem muitos estrangeiros fora das cidades, isto significa que o visitante lê o site com a tradução automática do navegador, quando lê.

Restaurantes. Três em cada quatro sites (74,8%) estão numa língua só. Num restaurante de bairro, faz sentido. Numa zona turística, um visitante que não percebe a ementa nem a forma de reservar vai ao restaurante ao lado.

Espanhol. Aqui os hotéis estão bem: 55,2% declaram versão em espanhol para um mercado de 9,4%.

Quer saber que línguas o seu site declara e se o Google as encontra? Peça a análise gratuita.

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E comparado com a Europa?

Nos dados do Eurostat de 2025, 79,4% das empresas de alojamento portuguesas com 10 ou mais pessoas têm site em pelo menos duas línguas, acima da média da UE (72,3%). Mas no conjunto do alojamento e restauração, Portugal fica em 32,3%, contra 38,0% na UE. Ou seja, o alojamento está acima da média europeia e é a restauração que puxa o setor para baixo. Esta última parte é uma inferência nossa: o Eurostat não publica a restauração em separado nestes quadros.

Isto bate certo com a nossa verificação: os hotéis estão perto do que se espera, o turismo rural e os restaurantes estão longe. Os números completos estão nos estudos de hotéis e de restaurantes.

Quantas línguas são precisas

Não é preciso ter o site em seis línguas. Uma tradução fraca faz pior figura do que nenhuma. O que recomendamos é decidir pelos seus próprios números: de onde vêm os seus hóspedes ou clientes, segundo as suas reservas, o seu livro de registos ou as avaliações que recebe.

Exemplo ilustrativo: uma casa de turismo rural que recebe sobretudo portugueses, alemães e neerlandeses precisa de português e inglês desde o primeiro dia. O alemão entra a seguir. Uma página por língua com o essencial (quartos, preços «desde», como chegar, como reservar) é suficiente para começar.

O que não deve faltar em nenhuma versão: o preço ou um valor «desde», a forma de reservar e um contacto direto. Quem lê noutra língua tem ainda menos paciência para procurar.

Se usa um motor ou sistema de reservas, confirme que também ele aparece na língua certa. De pouco serve ter a página em alemão se o passo do pagamento surge só em português.

O que fazer

  1. Veja de onde vêm os seus clientes. Use as reservas ou as avaliações do último ano para escolher as línguas, em vez de adivinhar.
  2. Garanta o inglês completo. Todas as páginas que levam a uma reserva ou a um contacto têm de existir em inglês.
  3. Acrescente uma terceira língua pelos seus números. Se recebe muitos alemães ou espanhóis, comece por essa.
  4. Peça uma tradução revista por alguém que fale a língua. Nomes de pratos, condições de cancelamento e preços são onde os erros custam mais.
  5. Declare as línguas no código. As marcas hreflang dizem ao Google qual versão mostrar a cada pessoa. É um pormenor técnico que faz parte de qualquer site bem feito.

Para o contexto completo do ano, leia o turismo em Portugal em 2025 em números.

Perguntas frequentes

Quais foram os principais mercados estrangeiros do turismo português em 2025?

Segundo o INE, nas dormidas de não residentes em 2025 o Reino Unido teve 17,3%, a Alemanha 11,8%, a Espanha 9,4% e os EUA 9,1%. Ao todo, 29,9 milhões de turistas não residentes chegaram a Portugal nesse ano.

Que línguas deve ter o site de um hotel em Portugal?

Português e inglês são o mínimo. Depois, olhe para os seus próprios hóspedes: se recebe muitos espanhóis, alemães ou franceses, essa é a terceira língua. Uma página bem traduzida vale mais do que cinco traduções automáticas.

Como verificaram as línguas dos sites?

Na verificação FINEWEB de outubro de 2026 lemos a página inicial de cada site e registámos as versões noutras línguas declaradas no código (marcas hreflang). Um site pode ter tradução sem estas marcas, por isso os valores são um mínimo.

A tradução automática do navegador não chega?

Ajuda o visitante a perceber a página, mas não substitui uma versão própria. Nem todos a ativam, e a tradução automática erra com facilidade em nomes de pratos, condições de cancelamento e preços.

Um restaurante também precisa de site em inglês?

Se está numa zona com turistas, sim, pelo menos a ementa, o horário e a forma de reservar. Na nossa verificação, só 34,4% dos sites de restaurantes tinham versão em inglês declarada.

Fontes

  1. ECO, Turismo abrandou em 2025: Portugal visitado por 29,9 milhões de turistas, dados INE (09.07.2026), consultado a 13.10.2026
  2. INE, Atividade Turística, 4.º trimestre de 2025 (destaque de 13.02.2026), consultado a 13.10.2026
  3. Eurostat, Websites and functionalities by NACE Rev.2 (isoc_ciwebn2), 2025, consultado a 13.10.2026

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