Estudo

Como estão os sites dos hotéis portugueses em 2026

Lemos a página inicial de 1 329 sites de hotéis registados no Turismo de Portugal. A base técnica está razoável; o que falha é o caminho entre a visita e a reserva.

Atualizado a 25 de outubro de 2026Com fontes
Quarto de hotel arrumado
Imagem ilustrativa

Analisámos a página inicial de 1 329 sites de hotéis registados no RNET. Em 91,5% há uma referência a reservas ou uma ferramenta de reserva. Mas só 24,5% mostram um preço ou um valor «desde», e só 10,5% têm botão de WhatsApp. Os hotéis portugueses querem vender pelo site; muitos ainda não facilitam a venda.

Como fizemos

O RNET, o registo nacional de empreendimentos turísticos, tinha 1 895 hotéis no continente a 13 de outubro de 2026, contando hotéis-apartamento e pousadas. Pegámos nos sites indicados no registo e lemos a página inicial de cada um, uma vez, com um pedido igual ao de um navegador.

Abriram 1 329 sites. Outros 162 endereços não abriam: domínio inexistente ou página de erro 404. Tratamos esse problema à parte, em sites mortos no registo de turismo.

Limites do método: olhámos só para a página inicial e só para o que se deteta no código (ligações, marcas, textos). Um hotel pode ter preços numa página interior ou WhatsApp num menu que não detetámos. Os valores são um retrato da primeira impressão, não uma auditoria completa. Publicamos apenas números agregados, sem nomes.

Os resultados principais

O que procurámos na página inicialSites de hotéis
Ligação segura (https)91,1%
Preparado para telemóvel (marca viewport)94,4%
Referência a reservas ou ferramenta de reserva91,5%
Versão em inglês declarada83,6%
Política de privacidade80,6%
Ligação a redes sociais77,4%
Ligação ao Livro de Reclamações73,7%
Avaliações ou testemunhos66,7%
Dados estruturados de negócio para o Google63,4%
Telefone que se liga com um toque56,1%
Formulário de pedido46,3%
Preços ou valores «desde»24,5%
Servidor lento (mais de 1,5 s a responder)21,4%
Analítica ou pixel sem ferramenta de consentimento18,4%
Botão de WhatsApp10,5%
Chat ou assistente8,2%

Os dados por região e por tipo de hotel estão no estudo dos sites de hotéis.

O que está bem

A base técnica está quase resolvida. Nove em cada dez sites têm ligação segura e estão preparados para telemóvel. A grande maioria tem versão em inglês, política de privacidade e ligação às redes sociais. Só 7,7% mostram no rodapé um ano de 2023 ou anterior, um sinal simples de site parado.

Nas versões antigas, o quadro parece calmo: 37,3% dos sites usam WordPress, e só 0,8% mostram uma versão 5.x. Muitos sites escondem a versão, por isso este número é um mínimo.

As línguas são um caso à parte. O inglês está declarado em 83,6% dos sites, mas o alemão só em 28,2%, apesar de a Alemanha ser o segundo mercado estrangeiro nas dormidas de não residentes, segundo o INE. Cruzamos estes números em mercados turísticos e línguas do site.

Onde se perdem reservas

Preço escondido. Três em cada quatro sites não mostram qualquer preço na página inicial. O hóspede que veio da plataforma para comparar não encontra a resposta à primeira pergunta que tem.

Prova social pela metade. Dois terços dos sites (66,7%) mostram avaliações ou testemunhos. O terço restante pede confiança sem dar nada que a sustente, quando muitas vezes o hóspede acabou de ler comentários de outros hóspedes na plataforma.

Contacto lento. Só 56,1% têm um telefone que se liga com um toque no telemóvel. Menos de metade (46,3%) tem formulário. O WhatsApp aparece em 10,5% e o chat em 8,2%. Para um hóspede com uma pergunta rápida às dez da noite, isto quer dizer, muitas vezes, nenhuma forma imediata de a fazer.

Segundo o Eurostat, 31,6% das empresas de alojamento portuguesas com 10 ou mais pessoas dizem ter chat de apoio no site. O nosso valor é mais baixo porque mede outra coisa: ferramentas de chat conhecidas detetadas na página inicial, em hotéis de todos os tamanhos.

Servidor lento. Em 21,4% dos sites, o servidor demorou mais de 1,5 segundos só a começar a responder. A mediana foi de 677 milissegundos, e o HTML da página inicial tinha uma mediana de 146 KB. Num telemóvel com rede fraca, estes atrasos somam-se ao peso das fotografias.

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As regras que ficam por cumprir

Livro de Reclamações. Quem tem site deve divulgar nele, em local visível e de forma destacada, o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico. A portaria manda pô-lo na página de entrada. Encontrámos a ligação em 73,7% dos sites, o que deixa cerca de um quarto em falta. Explicamos as regras em livro de reclamações no site.

Cookies. A lei exige consentimento prévio para guardar ou ler informação no dispositivo do visitante, salvo o estritamente necessário. Em 18,4% dos sites encontrámos Google Analytics ou Meta Pixel sem qualquer ferramenta de consentimento detetada.

Como o Google lê estes sites

63,4% dos sites têm dados estruturados de negócio, a informação em código que ajuda o Google a mostrar morada, contactos e horários. 73,5% têm as marcas que definem a imagem e o texto quando a página é partilhada nas redes ou numa conversa. São detalhes invisíveis para o hóspede, mas mudam a forma como o hotel aparece fora do site.

O que fazer

  1. Mostre um preço na página inicial. Um valor «desde» por tipo de quarto, ou o motor de reservas com datas logo no topo.
  2. Ponha o contacto a um toque. Telefone clicável, botão de WhatsApp e email visíveis no telemóvel, sem ter de procurar.
  3. Confirme as obrigações legais. Livro de Reclamações na página de entrada e ferramenta de consentimento antes de qualquer analítica ou pixel.
  4. Meça a resposta do servidor. Se o seu site demora mais de um segundo a responder, fale com quem o aloja.
  5. Reveja o rodapé e as datas. Um ano antigo ou uma promoção de 2023 dizem ao hóspede que ninguém cuida do site.

Se preferir que tratemos disto, veja sites para hotéis.

Perguntas frequentes

Quantos sites de hotéis foram analisados?

Na verificação FINEWEB de outubro de 2026 abrimos a página inicial de 1 329 sites de hotéis, hotéis-apartamento e pousadas indicados no RNET, o registo do Turismo de Portugal. Outros 162 endereços indicados não abriam (domínio inexistente ou página de erro 404).

Os resultados identificam hotéis?

Não. Publicamos só números agregados. Não divulgamos nomes nem resultados de hotéis individuais.

O que conta como «site lento» neste estudo?

Um site que demorou mais de 1,5 segundos a começar a responder no nosso teste. A mediana foi de 677 milissegundos. É uma medida simples do servidor, não a velocidade total da página no telemóvel.

Porque é que os preços na página inicial são importantes?

Porque o hóspede compara. Muitas vezes viu o hotel numa plataforma e vem ao site confirmar se compensa reservar ali. Sem um valor «desde» ou uma forma rápida de ver o preço, volta à plataforma.

O meu hotel é obrigado a ter o Livro de Reclamações no site?

Sim, se tem site. A lei obriga a divulgar o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico em local visível e de forma destacada, e a portaria manda colocá-lo na página de entrada. Na nossa verificação, 73,7% dos sites de hotéis tinham essa ligação.

Fontes

  1. Diário da República, Decreto-Lei n.º 74/2017 (Livro de Reclamações Eletrónico), consultado a 13.10.2026
  2. ANACOM, Portaria n.º 201-A/2017, consultado a 13.10.2026
  3. PGDL Lisboa, Lei n.º 41/2004 (texto consolidado, art. 5.º, cookies), consultado a 13.10.2026
  4. ECO, Turismo abrandou em 2025: Portugal visitado por 29,9 milhões de turistas, dados INE (09.07.2026), consultado a 13.10.2026
  5. Eurostat, Websites and functionalities by NACE Rev.2 (isoc_ciwebn2), 2025, consultado a 13.10.2026

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