Analisámos a página inicial de 1 329 sites de hotéis registados no RNET. Em 91,5% há uma referência a reservas ou uma ferramenta de reserva. Mas só 24,5% mostram um preço ou um valor «desde», e só 10,5% têm botão de WhatsApp. Os hotéis portugueses querem vender pelo site; muitos ainda não facilitam a venda.
Como fizemos
O RNET, o registo nacional de empreendimentos turísticos, tinha 1 895 hotéis no continente a 13 de outubro de 2026, contando hotéis-apartamento e pousadas. Pegámos nos sites indicados no registo e lemos a página inicial de cada um, uma vez, com um pedido igual ao de um navegador.
Abriram 1 329 sites. Outros 162 endereços não abriam: domínio inexistente ou página de erro 404. Tratamos esse problema à parte, em sites mortos no registo de turismo.
Os resultados principais
| O que procurámos na página inicial | Sites de hotéis |
|---|---|
| Ligação segura (https) | 91,1% |
| Preparado para telemóvel (marca viewport) | 94,4% |
| Referência a reservas ou ferramenta de reserva | 91,5% |
| Versão em inglês declarada | 83,6% |
| Política de privacidade | 80,6% |
| Ligação a redes sociais | 77,4% |
| Ligação ao Livro de Reclamações | 73,7% |
| Avaliações ou testemunhos | 66,7% |
| Dados estruturados de negócio para o Google | 63,4% |
| Telefone que se liga com um toque | 56,1% |
| Formulário de pedido | 46,3% |
| Preços ou valores «desde» | 24,5% |
| Servidor lento (mais de 1,5 s a responder) | 21,4% |
| Analítica ou pixel sem ferramenta de consentimento | 18,4% |
| Botão de WhatsApp | 10,5% |
| Chat ou assistente | 8,2% |
Os dados por região e por tipo de hotel estão no estudo dos sites de hotéis.
O que está bem
A base técnica está quase resolvida. Nove em cada dez sites têm ligação segura e estão preparados para telemóvel. A grande maioria tem versão em inglês, política de privacidade e ligação às redes sociais. Só 7,7% mostram no rodapé um ano de 2023 ou anterior, um sinal simples de site parado.
Nas versões antigas, o quadro parece calmo: 37,3% dos sites usam WordPress, e só 0,8% mostram uma versão 5.x. Muitos sites escondem a versão, por isso este número é um mínimo.
As línguas são um caso à parte. O inglês está declarado em 83,6% dos sites, mas o alemão só em 28,2%, apesar de a Alemanha ser o segundo mercado estrangeiro nas dormidas de não residentes, segundo o INE. Cruzamos estes números em mercados turísticos e línguas do site.
Onde se perdem reservas
Preço escondido. Três em cada quatro sites não mostram qualquer preço na página inicial. O hóspede que veio da plataforma para comparar não encontra a resposta à primeira pergunta que tem.
Prova social pela metade. Dois terços dos sites (66,7%) mostram avaliações ou testemunhos. O terço restante pede confiança sem dar nada que a sustente, quando muitas vezes o hóspede acabou de ler comentários de outros hóspedes na plataforma.
Contacto lento. Só 56,1% têm um telefone que se liga com um toque no telemóvel. Menos de metade (46,3%) tem formulário. O WhatsApp aparece em 10,5% e o chat em 8,2%. Para um hóspede com uma pergunta rápida às dez da noite, isto quer dizer, muitas vezes, nenhuma forma imediata de a fazer.
Segundo o Eurostat, 31,6% das empresas de alojamento portuguesas com 10 ou mais pessoas dizem ter chat de apoio no site. O nosso valor é mais baixo porque mede outra coisa: ferramentas de chat conhecidas detetadas na página inicial, em hotéis de todos os tamanhos.
Servidor lento. Em 21,4% dos sites, o servidor demorou mais de 1,5 segundos só a começar a responder. A mediana foi de 677 milissegundos, e o HTML da página inicial tinha uma mediana de 146 KB. Num telemóvel com rede fraca, estes atrasos somam-se ao peso das fotografias.
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Falar no WhatsAppAs regras que ficam por cumprir
Livro de Reclamações. Quem tem site deve divulgar nele, em local visível e de forma destacada, o acesso ao Livro de Reclamações Eletrónico. A portaria manda pô-lo na página de entrada. Encontrámos a ligação em 73,7% dos sites, o que deixa cerca de um quarto em falta. Explicamos as regras em livro de reclamações no site.
Cookies. A lei exige consentimento prévio para guardar ou ler informação no dispositivo do visitante, salvo o estritamente necessário. Em 18,4% dos sites encontrámos Google Analytics ou Meta Pixel sem qualquer ferramenta de consentimento detetada.
Como o Google lê estes sites
63,4% dos sites têm dados estruturados de negócio, a informação em código que ajuda o Google a mostrar morada, contactos e horários. 73,5% têm as marcas que definem a imagem e o texto quando a página é partilhada nas redes ou numa conversa. São detalhes invisíveis para o hóspede, mas mudam a forma como o hotel aparece fora do site.
O que fazer
- Mostre um preço na página inicial. Um valor «desde» por tipo de quarto, ou o motor de reservas com datas logo no topo.
- Ponha o contacto a um toque. Telefone clicável, botão de WhatsApp e email visíveis no telemóvel, sem ter de procurar.
- Confirme as obrigações legais. Livro de Reclamações na página de entrada e ferramenta de consentimento antes de qualquer analítica ou pixel.
- Meça a resposta do servidor. Se o seu site demora mais de um segundo a responder, fale com quem o aloja.
- Reveja o rodapé e as datas. Um ano antigo ou uma promoção de 2023 dizem ao hóspede que ninguém cuida do site.
Se preferir que tratemos disto, veja sites para hotéis.
